Novos tempos

Agências de viagem se adaptam a um turista cada vez mais conectado

Uma das maiores feiras do setor na América Latina, Expo Abav focou neste ano nas oportunidades que a tecnologia traz para o agente

Por: Priscila de Martini
11/10/2016 - 03h00min | Atualizada em 11/10/2016 - 08h00min
Agências de viagem se adaptam a um turista cada vez mais conectado Edu Oliveira/Agencia RBS
Foto: Edu Oliveira / Agencia RBS

A pessoa recebe um alerta no celular: tem passagem barata para a Europa! Apressa-se, clica e pesquisa as melhores datas. Compra o bilhete. Na hora, já começa o planejamento. Compara preços de hotéis em vários sites (ou usa só um site comparador), vê as fotos do lugar, lê as avaliações de outros viajantes. Reserva o quarto. Depois, começa a ler em apps, sites e blogs muitos detalhes sobre o destino — onde comer, o que fazer, sugestões de quem já foi. Tudo isso sem precisar levantar da poltrona.

Essa cena está cada vez mais comum entre turistas do mundo inteiro. A internet e a tecnologia mobile mudaram completamente a indústria de turismo ao, sobretudo, dar autonomia para quem viaja. Se a pessoa quiser, pode fazer tudo sozinha, online.

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Nesse contexto de mudanças sem volta, as agências de viagens "físicas" — procuradas por 43% dos brasileiros, conforme pesquisa da Momondo, buscador de passagens aéreas e reservas de hotéis — precisaram se adaptar para recuperar o espaço e também para saber aproveitar as novidades. A edição deste ano da Expo Abav, um dos maiores eventos de turismo da América Latina, realizada no final de setembro em São Paulo, teve como foco os desafios e as oportunidades da tecnologia para o setor.

— A internet não veio para concorrer com a gente, veio nos ajudar — afirma o novo presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Edmar Bull, ele mesmo dono de uma agência online.

Bull enumera as ações da entidade nesse sentido. Na feira — em que 15% dos expositores estavam voltados à tecnologia —, as palestras de capacitação tiveram um eixo totalmente focado nesse tema, com apresentações sobre assuntos como agências online e redes sociais. 

Além disso, foi criado um comitê com 26 fornecedores, que estão mostrando como a tecnologia vai ajudar as agências em todas as frentes, e um grupo formado por jovens agentes, que estão montando um modelo que chamaram de "agência ideal", que será difundida entre os associados. 

A iniciativa mais comemorada, talvez, tenha sido o lançamento de uma ferramenta que permitirá que toda agência possa ser online, independentemente do tamanho e do orçamento.

— Isso, no passado, era uma distância muito grande para as médias e pequenas — explica Bull.

O mundo mudou tanto que até os computadores estão rapidamente sendo substituídos. Estudo da Criteo, especializada em publicidade digital e marketing de performance, indicou que os dispositivos móveis foram responsáveis por 27% das vendas online relacionadas a viagens em todo o mundo no primeiro trimestre deste ano. No Brasil, 23%. Isso sem considerar o uso de apps, que têm forte representação nas vendas mobile de viagens — o do Decolar.com, por exemplo, conta com 24 milhões de downloads na América Latina, 8,5 milhões somente por aqui. 

O brasileiro, aliás, foi um dos que mais abraçaram a tecnologia quando o assunto é turismo. Segundo a pesquisa da Momondo, 60% buscam inspiração para planejar viagens em sites especializados e 45% também recorrem às redes sociais.

Mesmo com tanta informação online, as agências "físicas" ainda contam com grandes vantagens, observa a vice-presidente da Abav-RS e diretora da Abav Nacional, Rita Vasconcelos. Entre elas, o contato direto com o cliente e o cuidado com os detalhes, fundamental especialmente em viagens mais complexas.

— É justamente aquele algo mais. É a diferença entre um grande magazine e uma boutique, em que o atendente vai te assessorar e dizer o que é melhor. E nem sempre tem diferença de valores. O agente vai ajudar a economizar — ressalta Rita.

Futuro das viagens

E muitas mudanças ainda estão por vir. O relatório Skyscanner Viagens no Futuro, lançado em 2014, prevê que, até 2024, cada viajante terá um "e-agent" (agente eletrônico), que o acompanhará para todos os lados, dentro de um relógio ou de uma pequena joia ou bijuteria. Mais desafios e oportunidades pela frente.

*A editora viajou a São Paulo a convite da Abav


 






 
 
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