Roteiro de 30 dias

Tailândia encanta pelo budismo e pelas praias sem igual

Nossa repórter relata suas aventuras em um roteiro de um mês por quatro países do Sudeste Asiático

Por: Janaína Kalsing
20/03/2017 - 18h03min | Atualizada em 20/03/2017 - 18h09min
Tailândia encanta pelo budismo e pelas praias sem igual Ariel Camargo/Arquivo Pessoal
Railay Beach, uma das mais bonitas do país Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal  

O desembarque em Bangcoc, a capital da Tailândia, seria naturalmente instigante, porque se tratava de uma cidade desconhecida. Mas havia um ingrediente a mais: cheguei em uma das datas mais especiais do país, o Buda Day. Nesse dia, pessoas lotam templos budistas com presentes (doces, salgados, velas) a Buda e marcham em passeata pelas ruas. Havia um clima de euforia. Não sei se a data é oficial no calendário tailandês, mas o fato é que havia algo diferente no ar.

Falar de Tailândia é discorrer sobre o budismo, religião seguida por quase 95% da população. Na sala das casas, nos bares, nas farmácias, nos mercados, em qualquer lugar, há um pequeno templo com flores e incensos para Buda, nas suas mais variadas formas. Estima-se, também, que há mais de 30 mil templos no país. 

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O mais famoso é Wat PhraKeo, Buda de Esmeralda (que, na verdade, é feito de jade). Situa-se dentro do complexo do Grande Palácio, no centro histórico da capital tailandesa. Há também uma estátua de Buda feita em ouro maciço no Buda de Ouro (Wat Traimit), também em Bangcoc. Outro templo bastante visitado é do Buda Reclinado (Wat Pho). Construído no século 16, o local é famoso pela estátua de 46 metros de comprimento e 15 de altura feita em barro e argamassa e coberta por ouro e madrepérola.

Grande Palácio Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Mas, prepare-se: ingressar nesses templos exige cuidado nas vestimentas. Cubra os ombros e as pernas, do contrário será barrado. Não sabia da regra na primeira visita, por isso tive de me cobrir com roupas destinadas a mal informados como eu. Era uma camisa bem fechada acompanhada de uma longa saia estampada. O modelito não combinou, mas garanti a entrada e me encantei com o colorido das construções. Os templos são majestosos, coloridos, imponentes. Tudo é bem conservado. Capricho define o ambiente.

Janaína (à direita) e seu modelito improvisado Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Na cidade, você depara o tempo todo com comidas e sucos fresquinhos produzidos em banquinhas de rua, encontra locais para assistir a uma luta de boxe tailandês (ou thai boxing, principal esporte do país) e tem a oportunidade de momentos de relaxamento com as clássicas massagens tailandesas. Comprei uma sessão de relaxamento no Chatuchak Market, considerado o maior mercado ao ar livre do mundo. Pudera: são mais de 8 mil lojinhas espalhadas em 27 hectares. 

Durante a visita, você encontrará lembrancinhas da Tailândia, roupa de estilistas independentes, móveis e muita comida. Legal que tudo isso pode ser encontrado dentro de um labirinto em forma de shopping popular, por cujos corredores se misturam cores, cheiros e sons.

Nas andanças por Bangcoc, também vale observar a movimentação de monges. Eles estão por todos os lados. Vestidos com um pano laranja amarrado de forma eficiente em volta do corpo, são homens das mais variadas idades que andam tranquilamente pelas ruas. Você até pode pedir para tirar foto, mas evite tocá-los, se for mulher, para não gerar constrangimento. 

Templo budista em Bangcoc Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Outro personagem que não passará despercebido é o rei Bhumibol Adulyadej, que morreu em outubro de 2016. Há fotografias gigantes dele espalhadas por todo o país, nas mais variadas situações: meditando, quando foi monge, na companhia dos filhos, inaugurando obras públicas etc. O motivo dos painéis? Ele estava havia 70 anos no trono — o chefe político há mais tempo no poder — e goza de um status de semideus, fruto de décadas de culto a sua personalidade.

Bangcoc carrega o apelido de Veneza do Leste, por causa dos inúmeros canais. Antigamente, os khlongs (canais, em tailandês) faziam parte do dia a dia dos habitantes, pois serviam como ruas. Embora atualmente tenham perdido importância, são uma boa alternativa para ver a cidade de um ponto de vista diferente. E por falar em rua, não deixe de conhecer a Kao San Road, reduto de turistas e excentricidades. Circular pelo local é ver uma Tailândia superdivertida: há tatuadores, insetos comestíveis, massagem com peixes que comem "pele morta" (a fish massage) e muitos jovens bêbados. A alguma maluquice você certamente vai se render!

Para além da metrópole

Railay Beach Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Para fugir do caos da metrópole, faça um bate-volta para Ayutthaya, antiga capital da Tailândia. Situada cerca de 80 quilômetros ao norte do Bangcoc, a cidade foi fundada em 1350, era o antigo Reino de Sião. Por 400 anos, ela foi o centro do país, até ser invadida em 1767 pelos exércitos da Birmânia (atual Myanmar). As marcas da invasão estão por todos os lados, e os belos templos deram lugar a ruínas cheias de budas decapitados. Hoje Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco, Ayutthaya pode ser conhecida de bike, tuk-tuk ou com um grupo de passeio. A única ordem é beber muita água e se refrescar à sombra das árvores sempre que sentir o peso do calor.

Também invista um dia para conhecer o Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, que fica a cerca de cem quilômetros a sul de Bangcoc. Há dezenas de barquinhos de madeira conduzidos, normalmente, a remo, por mulheres. Ali você vai encontrar de tudo: frutas, verduras, peixes, plantas, serpentes adestradas, roupas, lembrancinhas. Divirta-se com o congestionamento de barquinhos.

 Mercado Flutuante de Damnoen Saduak, que fica a aproximadamente 100 quilômetros a sul de Bangkok Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Falar de Tailândia também é buscar palavras (e quase não encontrá-las) para tentar descrever o paraíso: as praias tailandesas. Sim, elas são tudo o que você leu e ouviu falar. MA-RA-VI-LHO-SAS. Optei por pegar um voo low cost até Krabi, onde paguei um barco até Railay Beach, uma península rodeada por mar e montanhas. Além de ser deslumbrante, é um paraíso que não é tão lotado, mesmo no verão, se comparado a Ko Phi Phi (famosa pelo filme A Praia, de 2000) e outros destinos mais conhecidos do país.

Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Quando desembarcar de barco em Railay, você terá duas opções: seguir para o lado Leste ou Oeste. Railay West é onde a maioria dos barcos chegam. Há um clima de aconchego e um inebriante pôr do sol. Do lado Oeste da praia para o Leste, são cinco minutos de caminhada. Em Railay East, há acomodações mais acessíveis. Eu, por exemplo, fiquei em uma cabana no alto de um morro, em meio à natureza, com vista para o mar, que custou R$ 60/dia (habitação para casal).

Railay abriga uma das praias consideradas por muitos a mais bonita da Tailândia: Pranang Beach. Com grande faixa de areia fina e branca na ponta da península e altos penhasco nas duas pontas da praia, é possível enxergar paisagens espetaculares em um ângulo de 360º. É deslumbrante. Além de mar quentinho, há possibilidade de mergulho e banho de sol. Ali também há um curioso santuário, o Pranang Shire. Situado em uma pequena gruta, é dedicado ao espírito da Princesa Phra Nang, que dá origem ao nome da praia. Ali, pessoas depositam esculturas fálicas de variados materiais como pedido de fertilidade. Eu, que planejo aumentar a família, depositei o meu.

Pranang Beach Foto: Ariel Camargo / Arquivo Pessoal

Aproveite também para curtir a Ton Sai Bay, praia que fica ao lado de Railay West, perfeita para descansar na sombra das rochas. Desbrave ainda o Lagoon, a lagoa secreta de Railay. A chegada exige disposição e persistência, porque a trilha, muitas vezes, é entre rochas. Mas, vale todo esforço. O local é de uma paz única.

O passeio de barco partindo de Raylay para ilhas da Tailândia custa de R$ 150 a R$ 250, com alimentação, snorkel e banhos de mar nas mais belas praias do mundo. Como são muitas ilhas perto, há vários tipos e duração de tours.



 
 
 
 
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