Sobre os trilhos

O charme do passeio de trem entre Curitiba e Morretes, no Paraná

Passeio pela Serra do Mar encanta pelas belas paisagens

21/08/2017 - 19h00min | Atualizada em 23/08/2017 - 14h10min
O charme do passeio de trem entre Curitiba e Morretes, no Paraná Rodrigo Petterson/Divulgação
Foto: Rodrigo Petterson / Divulgação  

Nunca conseguia considerar minha visita a Curitiba completa, mesmo visitando a capital paranaense no mínimo uma vez por ano. Sempre que passava pela estação rodoferroviária da cidade, exclamava:

— Um dia ainda vou fazer o passeio de trem até Morretes.

Não que fosse uma meta tão difícil de realizar, mas é que sempre tinha um porém: chovia, o tempo era curto, a neblina encobria a serra¿

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Até que, no ano passado, os astros todos se alinharam e consegui fazer a reserva para o passeio familiar pelo trajeto existente há 130 anos e percorrido por cerca de 200 mil pessoas a cada ano — trens de passageiros, talvez pela quase inexistência no país, exercem um fascínio infantil.

Aquele domingo de manhã escolhido por nós estava ensolarado e frio na medida, e a excitação transbordava da plataforma. Não foi difícil achar nosso vagão — escolhemos o trem executivo, um pouco mais caro, mas também mais confortável, com um kit lanche razoável para garantir que a fome não estragasse o deleite com a paisagem.

Aliás, é da janela para fora que estão as principais atrações. A parte interna deixa a desejar. Sei que o trem de luxo é superconfortável, mas o executivo eu diria que é OK e que merecia/precisava de mais cuidado. Também demos o azar de ter um guia que falava demais — e companheiros de vagão que respeitavam de menos —, atrapalhando momentos que exigiam apenas contemplação e silêncio. De qualquer forma, o trajeto de três horas entre Curitiba e Morretes, cruzando a Serra do Mar, vale mesmo com esses pequenos contratempos.

Torça (e consulte o serviço de meteorologia) para não haver neblina, o que, dizem, tira metade da graça do passeio. Obras da natureza, como a Mata Atlântica, as montanhas do Marumbi e a Cascata Véu de Noiva arrancarão muitos oooohs, e aquelas erguidas com a mão humana, como a Ponte São João, que é de 1885 e tem um vão de 110 metros de altura.

Foto: Rosane Tremea / Arquivo Pessoal

Para escolher

O valor da viagem varia conforme o trecho e o serviço escolhido. O bom é que agora é possível fazer a reserva e a compra dos bilhetes pelo site (um ano atrás, quase desisti, tamanha a dificuldade que era para comprar os tickets):

— Econômico
— Turístico (com uma água ou refrigerante)
— Executivo (com água, refrigerante, cerveja e kit lanche)
— Camarote (com água, refrigerante, cerveja e kit lanche)
— Trem de luxo (com poltronas de couro e sofás de veludo, bar no vagão, espumante, água, refrigerante e cerveja, acompanhado por guia bilíngue)
— Litorina de Luxo (apenas em fins de semana)

Uma tarde em Morretes

Como a manhã é quase toda (bem) gasta na viagem de trem, a partir de Curitiba, chegamos a Morretes praticamente na hora do almoço, que já estava reservado. Não, também nunca tinha comido um dos pratos típicos da região, o barreado (um cozido com pedaços de carne vermelha e toucinho cozidos por cerca de 12 horas em panela de barro, acompanhado de farinha de mandioca e bananas assadas ou fritas), e essa acabou sendo nossa escolha, numa mesa superbem localizada, à beira do Rio Nhundiaquara.

Foto: Rosane Tremea / Arquivo Pessoal

Deixar para passear pela pequena cidade fundada no século 18 à tarde, ainda que sob o sol quente do litoral, revelou-se uma boa ideia. A comilança exigia mesmo uma caminhada para a digestão. E o passeio pelas ruas com construções típicas portuguesas é bem agradável.

Foto: Rosane Tremea / Arquivo Pessoal

Foi uma tarde de muitos cafés e muitos doces, com paradas estratégicas a cada confeitaria ou bar/restaurante que achávamos bonitinho, como o Bistrô da Vila, com mesas sob as árvores e muito artesanato em uma varanda.Cruzamos a ponte velha, fomos à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, tomamos mais um café (o último deles no Café com Pausa), comemos mais um doce¿

Foto: Rosane Tremea / Arquivo Pessoal

No final do dia, retornamos para Curitiba em um micro-ônibus que pegamos na estação rodoviária, numa viagem rápida, barata e tranquila. Mas o retorno, bem mais demorado, também poderia ser feito de trem.

Ficou para a próxima vez

Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

A Litorina de Luxo, que o Wall Street Journal já disse ser um dos três passeios de trem mais interessantes do mundo, ficou para um próximo momento. Os três vagões foram batizados com os nomes "Foz do Iguaçu", "Copacabana" e "Curitiba". Com decoração que reconstrói o período áureo das ferrovias no país, no interior deles é servido café da manhã com espumante, e guias bilingues dão informações sobre o trajeto. 

Uma outra experiência (essa também para uma próxima vez) é o Expresso Classique, que ocorre a cada 15 dias. É um pequeno passeio no trem, no qual é servido um jantar harmonizado com vinhos e cervejas.

Informações

No site serraverdeexpress.com.br/passeios-de-trem ou pelo telefone (41) 3888-3488.


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