Nesses dias, organizando o quarto dos meus filhos, separei blocos grandes de Lego (os indicados para crianças de até quatro anos) com a intenção de passar adiante. Quando a minha dupla dinâmica viu a caixa, não teve dúvidas. Eles, atualmente com sete e 11 anos, abriram e se divertiram por horas. E fizeram campanha para que o "Lego infantil" não entrasse na caixa de doação.
Lego são aqueles tijolinhos coloridos - de vários tamanhos e para diversas faixas etárias - de montar e desmontar que existem desde 1934. Um dos raros brinquedos que sobrevivem à hegemonia dos jogos eletrônicos, dos tablets e, principalmente, ao crescimento desenfreado dos filhos. Baita invenção dinamarquesa. Desafia a criatividade e colabora com o aprendizado (sim, recentemente, até uma competição de robótica no Expominas, em Belo Horizonte, utilizou as peças de Lego para incentivar o ensino de ciências e matemática em jovens de nove a 15 anos). É o lúdico transformado em estímulo para o conhecimento.
É comum ver as miniaturas de Lego espalhadas pela minha sala. Já pisei em várias (e dói muito!). Nas mãos dos nossos miniengenheiros, elas vão ganhando vida a cada brincadeira: cidades, naves espaciais, monstros. A fantasia pode durar a tarde toda (bravo!). Engraçado ver um "Lego Star Wars" se desmontar para se transformar num "Lego o que a imaginação mandar". Aliás, esse foi um dos temas abordados no filme Lego Movie, sucesso de bilheteria em 2014: montar as peças seguindo as instruções ou criar um brinquedo novo, fugindo do padrão da imagem da caixa?
Para se renovar no tempo, a marca, além de filme, virou videogame, hotel temático e, claro, parque de entretenimento. No início deste ano, visitamos o parque Legoland, sediado a poucos quilômetros de Orlando em Winter Haven. Por lá, o parque é o único que conheço feito realmente sob medida para as crianças pequenas de dois a oito anos. É claro que também é possível encontrar algumas atrações para os baixinhos nos parques da Universal ou da Disney. Contudo, o Legoland é puramente infantil. Feito de cores, de carrossel, de barquinhos, de cavalinhos, de carrinhos e de atividades tranquilas. Nada de grandes giros ou rodopios. Sem radicalismos. Até o sacolejo das montanhas-russas é mais ameno, perfeito para adultos medrosos (como eu!).
É bom pegar o mapa na entrada e planejar o seu trajeto. Ainda na largada, vale a pena agendar uma das oficinas de construção do brinquedo e conferir o horário das sessões do show dos piratas e dos filmes em 3D. Por falar em filme, os personagens do Lego Movie têm horário e local para abraçar e tirar fotos com a gurizada. O Legoland é dividido por regiões, e uma das mais disputadas é a das atrações aquáticas (Legoland Water Park), disponível só em épocas quentes do ano.
Apesar de os tijolinhos terem se multiplicado em uma indústria gigante de consumo - com parques, produtos licenciados e filmes - , o brinquedo Lego continua genuíno em sua essência: brincar, criar, imaginar. Já doei "Little People", Barbies, vídeos da Xuxa, Ben10 e Teletubbies. Mas as inúmeras peças de Lego seguirão bravamente incólumes às minhas limpezas, arrumações e (espero) às viciantes "i-Traquitanas"!