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Efeitos do frio

Mudanças bruscas de temperatura estão relacionadas a 30% dos infartos registrados no Brasil

Médico explica por que a incidência de doenças cardíacas aumenta no inverno

13/06/2012 | 06h33
Mudanças bruscas de temperatura estão relacionadas a 30% dos infartos registrados no Brasil Morguefile/Divulgação
Infecções típicas do inverno afetam circulação sanguínea Foto: Morguefile / Divulgação

Oscilações de temperatura e tempo seco são responsáveis por praticamente 90% dos problemas respiratórios que acometem a população durante a transição do outono para o inverno. Mas esse quadro climático também pode desencadear outras doenças, entre elas, as cardíacas.

De acordo com o cardiologista João Vicente da Silveira, do Hospital e Maternidade São Luiz, aproximadamente 30% dos infartos que ocorrem no Brasil são decorrentes das mudanças bruscas de temperatura.

— Não só o coração sofre essas reações, como também o pulmão. Há registros de casos de AVC por conta dessas alterações na densidade sanguínea — diz o médico.

Confira 10 dicas para evitar um infarto

Dados da Associação Americana do Coração mostram que o inverno aumenta em até 25% a incidência de doenças cardiovasculares. Silveira explica que as infecções e viroses da estação mais fria do ano afetam diretamente a circulação sanguínea. As infecções respiratórias comprometem todo o organismo e causam um processo de inflamação nas artérias. Isso exige um esforço ainda maior do coração, resultando em um desiquilíbrio do músculo cardíaco. Quem já tem problemas cardíacos, acaba ficando mais exposto a infartos.

Quando o frio entra em contato com a pele, o corpo produz espasmos arteriais para manter sua temperatura natural. Essas contrações causam aumento da pressão arterial e predispõem a formação de coágulos no sangue. Os espasmos fecham as artérias fazendo com que o coração trabalhe mais para bombear o sangue por todo o corpo. Isso pode resultar em uma arritmia levando a uma angina cardíaca ou a um infarto agudo.

O cardiologista pondera a necessidade de fazer uma avaliação cardiovascular pouco antes do inverno. Ainda de acordo com o médico, os tabagistas, idosos e hipertensos são os mais propensos a desenvolver problemas cardíacos nesta época do ano.

— Nesses casos, as chances de sobrevida após um infarto caem pela metade. Por isso, exigimos tanto que os cuidados sejam tomados, principalmente com a alimentação, o consumo de caldos leves e sopas, que são ótimos agentes contra as ações do inverno — recomenda.

 
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