Análise viral

Por dentro do Lacen: saiba como funciona o laboratório que confirma a gripe A no Estado

Profissionais verificam até cem amostras por dia de pacientes em Porto Alegre

14/07/2012 | 18h13
Por dentro do Lacen: saiba como funciona o laboratório que confirma a gripe A no Estado Mauro Vieira/Agencia RBS
Funcionários chegam a trabalhar além do horário e em finais de semana para atender à demanda Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Responsável por confirmar todos os casos de gripe A no Estado, o Laboratório Central do Estado (Lacen) opera em regime especial para processar um volume de até cem amostras que chegam diariamente com suspeita de contaminação.

Trabalhar em finais de semana, além do horário ou em regime de sobreaviso são algumas das medidas adotadas pelos profissionais de saúde para fazer frente à demanda por diagnósticos do vírus H1N1.

Veja mapa das mortes por gripe A desde 2009

A quantidade de amostras que chegam ao prédio localizado na Avenida Ipiranga, na Capital, costuma variar de 60 a 80 por dia, chegando a picos de cem. Nem todas as suspeitas, porém, se revelam como gripe A. O mais recente boletim oficial, divulgado quinta-feira, apontou 192 casos confirmados e 29 mortes no Estado até agora.

O setor de virologia conta com cerca de 30 funcionários, dos quais uma dezena se dedica ao monitoramento da gripe. Quem enfrenta pela primeira vez o H1N1 se sobressalta com o volume de trabalho, mas veteranos da pandemia de 2009 afirmam que a situação ainda é bem mais tranquila do que há três anos — quando mais de 300 amostras chegavam diariamente para análise.

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— Naquele ano, chegou a faltar material. Passar por tudo aquilo nos ensinou muita coisa, então atualmente estamos melhor preparados — afirma a chefe da seção de Virologia do Lacen, Zenaida Marion Alves Nunes.

Zenaida afirma que hoje o laboratório cumpre o protocolo do Ministério da Saúde de apresentar diagnóstico em até 72 horas. A especialista está com o celular permanentemente ligado, e não se afasta dele, a fim de receber chamados de emergência e mobilizar parte da equipe em caso de necessidade.

Quando surgiu a primeira suspeita de morte por gripe A no Estado este ano — que acabaria descartada — integrantes da equipe tiveram de se deslocar para o laboratório no final de semana.

Tecnologia e segurança redobradas

Para confirmar a presença do vírus H1N1, é utilizado um pequeno aparelho, semelhante a uma grande CPU de computador, onde são inseridas placas de plástico com amostras extraídas de pacientes. Em uma tela ao lado, após cerca de duas horas, surgem as informações sobre o tipo de vírus.

Antes disso, porém, é realizado um difícil processo de separação e preparação do material orgânico. Parte desse trabalho é realizado em um laboratório com alto nível de segurança. Para evitar riscos de contaminação, a sala tem pressão atmosférica negativa.

— Isso faz com que apenas entre ar de fora no laboratório, mas não saia ar dele para os outros ambientes — observa a técnica responsável pelo diagnóstico da Influenza e outros vírus respiratórios, Tatiana Schaffer Gregianini.

O caminho do diagnóstico

Coleta

Pacientes com suspeita de gripe A têm material coletado na unidade de saúde onde se encontram. Para isso, há dois kits distribuídos pelo Lacen/RS:

— Kit de swabs: Três bastonetes, são passados em cada uma das narinas e na garganta do paciente a fim de coletar secreções.

— Kit broncocoletor: Usado principalmente nas crianças, coleta secreção por meio de um sistema de sucção.

Transporte

— Cada município se encarrega de enviar o material coletado ao Lacen, em uma caixa de isopor fechada e refrigerada com gelo. A recepção do laboratório funciona dia e noite para as encomendas.

Extração

— Em um laboratório altamente seguro, o material é aberto e as amostras são preparadas para exame e separadas em três partes. Uma vai para análise por meio de um método conhecido como PCR, outra fica congelada e uma terceira é encaminhada à Fiocruz.

Preparação dos reagentes

— Em outra sala isolada, os reagentes que vão ajudar a determinar se o vírus é o H1N1 são preparados pela equipe técnica.

Análise

— Em um outro ambiente, as amostras são pingadas em uma placa, que é inserida em um equipamento chamado termociclador, que analisa o material genético e exibe no computador se o vírus presente é o da Gripe A (H1N1).

Resultado

— Em caso positivo, a confirmação é inserida em um sistema informatizado, que pode ser acessado à distância por autoridades de saúde do Estado.

— Em caso negativo, o material é encaminhado para a realização de outro tipo de exame que envolve a observação do vírus por microscópio, pode dizer se o vírus é de outro tipo, como Influenza do tipo B, Adenovírus, entre outros.

Fiocruz

— Os vírus da gripe são encaminhados à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, para novas análises e para compor um banco de dados sobre vírus em circulação no país.

EUA

— A última etapa é o envio para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, nos EUA, para o monitoramento internacional do vírus Influenza.

Saiba mais sobre gripe A

Principais sintomas da gripe A:

- Tosse e espirros
- Fortes dores no corpo, na cabeça e na garganta
- Febre alta,acima de 38°C
- Pode haver náuseas, vômitos e diarreia
- Falta de ar

Para prevenir a contaminação, é aconselhado:

- Higienizar as mãos com frequência, principalmente após tossir ou espirrar
- Utilizar lenço descartável para higiene nasal
- Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir
- Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca
- Não partilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal
- Evitar aperto de mãos, abraços e beijo social
- Reduzir contatos sociais desnecessários e evitar, dentro do possível, ambientes com aglomeração
- Ventilar os ambientes

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