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Efeito do sedentarismo

Ficar muito tempo sentado pode gerar condropatia nos joelhos

Problema pode ser evitado com bom equilíbrio muscular dos membros inferiores

19/08/2012 | 09h04
Ficar muito tempo sentado pode gerar condropatia nos joelhos Daniel Marenco/Agencia RBS
Longos períodos sentados devem ser evitados para para que haja um bom equilíbrio muscular dos membros inferiores Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS

Grande parte da população trabalha sentada. A inatividade, além de comprometer o funcionamento do coração e do pulmão, prejudica ossos e articulações, como os dos joelhos.

De acordo com o ortopedista Paulo Henrique Araujo, pacientes que ficam muito tempo sentados, com os joelhos dobrados, e os sedentários, que apresentam um fortalecimento muscular inadequado e mau alongamento dos grupos musculares dos membros inferiores, podem desenvolver condropatia da articulação femoropatelar, também chamada de condromalácia. Trata-se de um desgaste que acomete a cartilagem da patela ou da tróclea, uma região do fêmur onde a patela se articula.

— Quando o joelho fica dobrado em um ângulo maior do que 40 graus, a patela passa a fazer contato com a tróclea de maneira mais intensa, provocando uma sobrecarga da patela contra o fêmur. Além disso, o desequilíbrio muscular provocado pelo sedentarismo modifica a biomecânica normal do joelho, levando também à sobrecarga da articulação femoropatelar e ocasionando a condropatia — explica o ortopedista.

Se um dos joelhos sofre de condropatia da articulação femoropatelar, a saúde e a funcionalidade do outro também pode ficar comprometida. Isso acontece por dois motivos: ou porque o outro joelho pode ter as mesmas deficiências musculares que originaram o problema no primeiro, ou porque o outro joelho acaba sendo sobrecarregado para desempenhar parte das ações que deveriam ser divididas entre os dois.

Mulheres são mais acometidas

A condropatia da articulação femoropatelar ocorre por uma modificação na biomecânica normal destas juntas, que impõe uma fricção maior no deslizamento da patela contra a tróclea. Os principais sintomas são dor, estalidos e rangidos.

— Embora o problema possa ser diagnosticado em ambos os sexos, as mulheres são mais acometidas por apresentarem características anatômicas que favorecem essas lesões — revela o médico.

Segundo Araujo, o principal tratamento da condropatia da articulação femoropatelar é feito por meio do reequilíbrio muscular, que pode ser adquirido durante sessões de fisioterapia. O tratamento deve ser individualizado, pois cada paciente apresenta uma deficiência específica. A intervenção medicamentosa também pode ser instituída para recuperar as áreas de perda cartilaginosa, porém com sucesso variável.

O médico esclarece, ainda, que o tratamento cirúrgico é menos frequente, mas possível em casos específicos. A técnica empregada no tratamento cirúrgico, seja ela minimamente invasiva por meio de artroscopia ou através de cirurgia aberta, dependerá do grau da lesão apresentada e, principalmente, das causas que levaram a essa lesão.

Problema pode ser evitado

As condropatias são irreversíveis. Ao tratar as lesões, o que se deseja é eliminar ou diminuir os sintomas, principalmente a dor.

— O índice de reincidência de dor é alto se o paciente não controlar o déficit que motivou a lesão. Ou seja, se a limitação muscular, uma falta de alongamento adequado ou falta de fortalecimento muscular desejável, não for constantemente combatida, ela pode desencadear novamente os sintomas — alerta o médico.

Por isso, de acordo com Araujo, a melhor saída é sempre a prevenção.

— As condropatias podem ser evitadas, principalmente, com um bom equilíbrio muscular dos membros inferiores. Além disso, evitar situações de risco, como ficar muito tempo com os joelhos dobrados e subir escadas muitas vezes ao dia, também pode ajudar — recomenda.

 
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