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Tratamento oncológico

Dificuldade de lidar com diagnóstico de câncer pode gerar depressão grave

Acompanhamento psicológico é fundamental para manter o paciente motivado

14/09/2012 | 15h46

Receber um diagnóstico de câncer não é fácil. Paciente e familiares experimentam uma série de sensações ao se deparar com um câncer. Angústia, desespero, tristeza, estresse e até mesmo revolta. Muitas vezes, todas essas variações podem desencadear um quadro depressivo.

De acordo com a psicóloga Mariana Lima, que atua em uma clínica oncológica em Belo Horizonte, cerca de 25% dos pacientes com câncer podem ter depressão.

— O quadro ocorre não só quando eles descobrem a existência da doença, mas também durante o tratamento. Por isso, o acompanhamento médico e psicoterápico é fundamental — alerta Mariana.

A psicóloga afirma também que as mudanças que surgem em função do tratamento podem afetar na aparência e na autoestima do paciente. Com o tratamento, acontece uma ruptura no curso normal da vida. Os hábitos e o cotidiano do paciente são modificados.

— A imagem corporal fica alterada e os medos são constantes devido ao estigma que ainda existe em torno da doença. Todos esses fatores acentuam o quadro depressivo. É importante trabalhar individualmente com o paciente para que ele aprenda a conviver com as dificuldades e com as questões emocionais — destaca.

Como diferenciar

A tristeza é uma reação considerada normal para quem enfrenta o diagnóstico, mas é necessário distinguir os níveis em que ela ocorre. Este processo é uma das partes mais importantes no cuidado de pacientes com câncer: saber identificar quando há necessidade de tratamento também para a depressão.

— Algumas pessoas têm mais dificuldades para aceitar o diagnóstico do câncer. A não adaptação a essa condição pode resultar em uma depressão grave. Nesse caso, já não se trata simplesmente de estar triste ou desanimado — explica Mariana.

Existem muitas ideias preconcebidas sobre o câncer e de como vivem os pacientes com câncer. O oncologista Amândio Soares desmistifica alguns pré-conceitos. A ideia de que todas as pessoas com câncer sofrem, obrigatoriamente, de depressão é uma delas. Ou ainda, a noção de que a depressão não pode ser tratada paralelamente ao tratamento do câncer. Há também os que imaginam que a doença é muito dolorosa.

— É fundamental que as pessoas tenham hábitos de vida saudáveis, façam exames periódicos, procurem o médico em caso de anormalidades e saibam que, quanto mais cedo descobrirem o câncer, maiores as chances de cura — enfatiza Soares.

Segundo o médico, recentes estudos mostram a relação das citocinas com quadros depressivos. Apesar disso, não há como descartar a singularidade do paciente e o seu repertório psíquico para lidar com situações novas.

— Cada indivíduo é único e reage de diferentes formas a instalação de qualquer patologia — finaliza o médico.

Pesquisas realizadas pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelaram que a depressão em pacientes com câncer está diretamente relacionada com os tumores.

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