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Açúcar e bebês

Açúcar em excesso na infância pode causar problemas como hiperatividade e obesidade

Confira como estabelecer limites às crianças para aproveitar os prazeres do açúcar com moderação

26/02/2014 | 09h01
Açúcar em excesso na infância pode causar problemas como hiperatividade e obesidade Fernando Gomes/Agencia RBS
Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Ele faz a alegria da criançada – seja decorando as deliciosas mesas nas festas de aniversário, protagonizando os passeios no parque na forma de coloridos algodões-doces, recheando as merendas ou se espalhando pelas prateleiras do supermercado. A verdade é que o açúcar está por todos os lados. Ao mesmo tempo em que dá prazer e arranca sorrisos até da criança mais emburrada, pode se transformar em verdadeiro pesadelo para os pais.

Considerado por muitos especialistas como o vilão da saúde, o açúcar em excesso na infância pode causar problemas como deficiência de vitaminas, hiperatividade, cárie e obesidade. Por isso, o equilíbrio na alimentação precisa começar desde cedo. Veja como você pode pode ajudar os pequenos a estabelecer limites para aproveitar os prazeres do açúcar com moderação.

Todo tipo faz mal à saúde?

Se consumido em excesso, todo tipo pode fazer mal, tanto a crianças quanto a adultos. A recomendação é dar preferência aos alimentos que contenham açúcar naturalmente na composição, como leite, frutas, pães e alguns vegetais. O grande vilão dessa história toda é o de tipo refinado, mais tradicional e barato. Normalmente, aparece na forma de guloseimas – balas, biscoitos, chocolates, pirulitos, gelatinas, refrigerantes e sucos artificiais – e passa por um processo de refinamento no qual perde todas as vitaminas. Não à toa ganhou a fama de “caloria vazia”. O açúcar refinado não tem valor nutritivo e, por isso, deve ser consumido com muita moderação.

Quando é recomendável liberar o consumo?

Até o sexto mês de vida, o bebê deverá ser alimentado exclusivamente com leite materno. Qualquer mudança nesta regra deve ser feita com orientação do pediatra. Depois desse período, os pais podem introduzir os açúcares naturais ao paladar dos filhos, moderadamente. Conforme a professora da UFRGS e nutróloga do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Elza Daniel de Mello, o consumo do açúcar deve ser sempre moderado em bebês pois, quando em excesso, pode inclusive sobrecarregar o pâncreas. Já o refinado não deve ser oferecido aos pequenos pelo menos nos dois primeiros anos, já que predispõe à formação de cáries e altera o paladar da criança.

Vale a pena investir na educação alimentar dos filhos?

A formação de hábitos alimentares se dá desde a gestação e até os dois anos, principalmente. Por isso os hábitos alimentares ensinados pelos pais determinarão a saúde na infância, na adolescência e na vida adulta, afirma a nutricionista Francielly Crestani, do Hospital São Lucas da PUCRS. Durante os primeiros anos de vida, a criança está conhecendo sabores e texturas.

– Ela nasce com preferência aos sabores doces, por isso, quando oferecemos açúcar de forma precoce, a tendência é de que ela rejeite outros alimentos saudáveis – explica a especialista.

Se faz mal, por que temos tanta vontade de comer?

O açúcar contém substâncias que estimulam o cérebro a produzir a serotonina, um neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar e prazer. Além disso, como o açúcar é um carboidrato, também é considerado um alimento energético.

– Podemos oferecer o açúcar na forma de frutas, proporcionando o mesmo benefício. A ingestão de cereais, frutas e vegetais, por exemplo, oferecem a energia necessária para o crescimento, o desenvolvimento e as 0atividades diárias – comenta a nutricionista Francielly Crestani.

Quais são as opções para substituí-lo?

Muitos especialistas não recomendam substituir o açúcar por adoçantes, principalmente durante a infância, pois os efeitos adversos dessas substâncias ainda não são bem conhecidos. O mais indicado é educar a criança a consumir alimentos na sua forma mais natural possível. Havendo necessidade do uso do açúcar, é recomendado utilizar os menos refinados como o mascavo, que preserva vitaminas e minerais em sua composição.

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