Sem mitos

Atores levam ao público a mensagem de que há vida depois do Parkinson

Casos como o de Paulo José e Michael J. Fox ajudam a mostrar que doença não é incapacitante

Por: Cândida Hansen
07/04/2014 - 06h02min
Atores levam ao público a mensagem de que há vida depois do Parkinson Estevam Avellar/TV Globo/Divulgação
Foto: Estevam Avellar / TV Globo/Divulgação  

Nos últimos 20 anos, o ator e diretor Paulo José dirigiu 10 peças de teatro e participou de 19 filmes e 18 programas de TV, entre séries e novelas. Dirigiu também mais de 200 comerciais. O artista conseguiu manter uma extensa ficha mesmo após o diagnóstico do Parkinson, doença degenerativa e progressiva que o acompanha pelo mesmo período. Sem cura, ela leva a pessoa a conviver com tremores e a ver seus movimentos ficarem lentos, os músculos rígidos e a fala prejudicada.

Atualmente, Paulo José interpreta na novela Em Família, da Rede Globo, o idoso Benjamin, que também sofre com o problema. A leveza do personagem e a intensidade das atividades que o artista tem desenvolvido ao longo destes anos de diagnóstico são exemplos que colocam em discussão um dos principais mitos sobre a doença: de que, por ser incurável e progressiva, nada se pode fazer pela qualidade de vida do paciente.

— O Parkinson exige um tratamento multidisciplinar, com medicamentos, acompanhamento de neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e, em muitos casos, psicólogo. As limitações dependem muito da fase de evolução da doença, mas sempre é possível ter algum tipo de melhora — explica a neurologista e coordenadora do Serviço de Movimento da Santa Casa, Arlete Hilbig.

Causas da doença ainda não são totalmente conhecidas

A enfermidade costuma se manifestar após os 60 anos e, segundo a Organização Mundial da Saúde, de 1% a 2% da população mundial convive com ela. Em alguns casos, ela pode aparecer mais cedo, na faixa etária dos 40 ou 50 anos — o ator americano Michael J. Fox, conhecido por protagonizar a trilogia De Volta Para o Futuro, foi diagnosticado aos 30 anos. Em The Michael J. Fox Show, exibido no Brasil pelo canal Comedy Central, ele faz piadas sobre suas limitações em decorrência da doença.

As causas da enfermidade ainda não são totalmente conhecidas, mas se sabe que ela pode ser desencadeada por fatores ambientais ou genéticos. Ainda não há cura. Os avanços nas pesquisas proporcionaram o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais. Tremores são o sintoma mais comum, mas não aparecem em todos os casos.

— Não costuma ser o sintoma mais incapacitante. A rigidez muscular e a lentidão dos movimentos tendem a ser os fatores que mais prejudicam a qualidade de vida — diz o chefe do Ambulatório da Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS, Andre Dalben.

Os movimentos mais lentos costumam ser um dos primeiros sinais do Parkinson. Tarefas simples, como abotoar uma camisa ou escovar os dentes se tornam mais difíceis. Como a falta de agilidade é relacionada a algo comum entre os idosos, o sinal muitas vezes passa despercebido.

- A agilidade em diagnosticar depende bastante dos sintomas. As pessoas já relacionam o tremor nas mãos ao Parkinson, mas as dificuldades de falar ou caminhar costumam ser interpretadas de outras formas. Não há um exame que sirva que determine a existência ou não da doença e o diagnóstico pode demorar — conta Arlete

Aceitando a "companhia"

O Parkinson não é fatal nem contagioso. O paciente não sofre alteração na memória ou na capacidade intelectual. Apesar de todas as limitações impostas pela doença, o maior desafio de quem convive com ela costuma ser outro: aceitar a ideia de que a enfermidade não vai regredir e será companheira de toda a vida.

A administradora de empresas Angela Maria Possebom Garcia, 59 anos, tem Parkinson há 15 anos e conhece bem as dificuldades impostas pela doença. Hoje, dedica-se exclusivamente a ajudar pessoas que enfrentam as mesmas limitações por meio da Associação Parkinson do Rio Grande do Sul (Apars), da qual é presidente.

— A doença atinge também o psicoemocional. Uma grande parte dos que sofrem de Parkinson não é amparada pela família. O tratamento precisa ser feito por um longo prazo, sem esperança de cura, o que muitas vezes gera falta de paciência e intolerância por parte dos familiares — conta Angela.

Semana do Parkinson

— Para orientar familiares e pacientes, a Associação Parkinson do Rio Grande do Sul (Apars) promove de 6 a 12 de abril a Semana do Parkinson.

— Haverá palestras de especialistas e pessoas que tenham a doença.

— A programação completa e os locais dos eventos podem ser conferidos em blogdaapars.blogspot.com.br

 
 
 
 
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