Estabilização

Obesidade no Brasil parou de crescer, aponta pesquisa

Segundo o Ministério da Saúde, 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal

30/04/2014 - 12h11min | Atualizada em 30/04/2014 - 22h33min
Obesidade no Brasil parou de crescer, aponta pesquisa Frances L Fruit/Shutterstock.com
Os dados mostram que a proporção de obesos entre homens e mulheres é a mesma: 17,5% Foto: Frances L Fruit / Shutterstock.com  

Depois de oito anos em ascensão, a obesidade no Brasil, pela primeira vez, parou de crescer. Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), apresentada nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde.

Apesar da estabilização do índice, o estudo aponta que 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal — destes, 17,5% são obesos. Na primeira edição da Vigitel, a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e a de obesos era de 11,8%.

Os dados mostram que a proporção de obesos entre homens e mulheres é a mesma: 17,5%. Já em relação ao excesso de peso, os homens acumulam percentuais mais expressivos: 54,7% contra 47,4%.

O estudo também indica que a escolaridade se mostra um forte fator de proteção entre o público feminino. O percentual de excesso de peso entre as mulheres com até oito anos de estudo é de 58,3%. Entre mulheres com, no mínimo, 12 anos de escolaridade, o percentual cai para 36,6%. A prevalência da obesidade cai pela metade entre os dois grupos, atingindo 24,4% e 11,8%,

Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, os resultados positivos em relação ao excesso de peso e à obesidade estão diretamente relacionados aos avanços na alimentação saudável e à prática de atividades físicas.

A Vigitel aponta um aumento de 11% em cinco anos no percentual de atividade física no período de lazer, passando de 30,3% em 2009 para 33,8% em 2013. Os homens são os mais ativos: 41,2% praticam exercícios no tempo livre, enquanto, em 2009, o índice era de 39,7%. Entretanto, o aumento da prática de exercícios entre as mulheres foi maior, passando de 22,2% para 27,4% no mesmo período.

O consumo recomendado de frutas e hortaliças também aumentou de 18% nos últimos oito anos. Em 2013, 19,3% dos homens e 27,3% das mulheres comem cinco porções por dia de frutas e hortaliças, quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Em 2008, os índices eram de 15,8% e 23,7%, respectivamente.

Apesar dos avanços, os dados mostram a existência de diversos hábitos alimentares inapropriados, como o índice de brasileiros que substituem o almoço ou o jantar por um lanche de baixo valor nutritivo, como uma pizza ou um sanduíche. O índice registrado foi de 16,5%, sendo 12,6% dos homens e 19,7% das mulheres.

Outro indicador que, segundo a pasta, preocupa é o consumo excessivo de gordura saturada. Ao todo, 31% dos entrevistados não dispensam a carne gordurosa e mais da metade (53,3%) consome leite integral regularmente. O consumo de refrigerantes também registrou altos índices: 23,3% da população ingere a bebida pelo menos cinco dias da semana.

— O excesso de peso e a obesidade estão relacionados a várias condições de doenças crônicas. Reduzir isto é um desafio hoje para o mundo moderno — avaliou Jarbas.

Número de fumantes cai no país

Os dados do Vigitel também mostram que a parcela de brasileiros com mais de 18 anos que fumam caiu de 15,7% em 2006 para 11,3% em 2013. A frequência maior de fumantes, de acordo com Barbosa, permanece entre os homens - 14,4% contra 8,6% entre as mulheres.

Outro avanço trata da queda na frequência das pessoas que fumam 20 ou mais cigarros: passando de 4,6% em 2006 para 3,4% no ano passado.

Por fim, o estudo também revela redução na frequência de fumantes passivos em domicílio. O índice passou de 12,7% em 2009 para 10,2% em 2013. Já no local de trabalho, a proporção de fumantes passivos variou de 12,1% a 9,8% no mesmo período.

O Ministério da Saúde assinou, em abril do ano passado, uma portaria que amplia o acesso ao tratamento contra o tabagismo e atualiza as diretrizes de cuidado à pessoas que fuma. A medida, de acordo com a pasta, permite ampliar o número de unidades e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferecem o tratamento.

Atualmente, 23.387 equipes da saúde em 4.375 municípios estão preparadas para ofertar o serviço na atenção básica. São oferecidas consultas de avaliação individual ou em grupo de apoio, além de medicamentos em forma de adesivos e gomas de mascar com nicotina.

A pesquisa Vigitel ouviu cerca de 23 mil brasileiros maiores de 18 anos que vivem nas 26 capitais do país e no Distrito Federal.

 
 
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