Revolução

Novas técnicas melhoram a qualidade de vida das mulheres que têm câncer de mama

Tratamento da doença está cada vez mais individualizado

14/07/2014 | 06h04
Novas técnicas melhoram a qualidade de vida das mulheres que têm câncer de mama Yvetta Fedorova/NYTNS
Pesquisadores estão testando maneiras criativas de evitar as metástases Foto: Yvetta Fedorova / NYTNS

Ao longo das últimas décadas, mudanças no tratamento do câncer de mama representaram uma revolução no atendimento a pacientes.

Houve uma época em que a abordagem padrão era uma mastectomia radical — que envolvia a remoção não apenas do seio, mas também de todos os nódulos linfáticos da axila e de músculos. Essa abordagem foi substituída por uma cirurgia menos extensiva que, em décadas de estudos clínicos se mostrou igualmente eficaz no tratamento de pacientes, além de ser mais segura. Segundo Dirk Iglehart, diretor do Susan Smith Center for Women's Cancers do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, hoje há um décimo do número de mastectomias do que na década de 1970.

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Atualmente, a maioria das mulheres com câncer de mama em estágio inicial passa por uma tumorectomia. Ou seja: apenas o tumor e uma pequena margem de tecido normal ao redor são removidos, junto a alguns nódulos linfáticos. Em seguida, as pacientes recebem terapia com radiação localizada e tratamento com medicamentos para evitar a recidiva.

Embora esse procedimento seja menos agressivo, os índices de mortalidade por câncer de mama vêm caindo continuamente desde 1990, nos Estados Unidos, resultado dos diagnósticos precoces e terapias médicas desenvolvidas. Isso graças a um grande investimento em pesquisas de câncer, de acordo com Clifford Hudis, diretor médico de câncer de mama no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York.

Segundo Hudis, o tratamento está ficando muito mais individualizado. Dependendo da natureza molecular do tumor, tratamentos hormonais pós-operatórios ou outros tratamentos com drogas são rotineiramente prescritos para evitar ou adiar uma recorrência da doença. Ainda assim, com quase 40 mil mortes por câncer de mama anualmente nos Estados Unidos, é preciso fazer mais.

Em vez de esperar que o câncer volte a aparecer em certas pacientes de alto risco, os cientistas estão desenvolvendo novas técnicas para superar as táticas agressivas das células cancerosas ao fazer com que o sistema imunológico execute um ataque contínuo para manter a doença sob controle.

Outra abordagem não-cirúrgica destrói o tumor ao congelá-lo com uma sonda de gelo, deixando-o em seu lugar para que o sistema imunológico possa ser treinado a atacá-lo, explica Hudis. Então, a paciente recebe um estimulante imunológico para ajudar a superar os obstáculos que impediam seu sistema de reconhecer o câncer como um tecido estranho. Quando os tumores estão mais avançados, algumas vezes já é possível minimizar a extensão da cirurgia.

— O tamanho do tumor e a presença de nódulos positivos podem não ter a importância que imaginávamos — diz a cirurgiã Deborah Axelrod.

Evitando a metástase de forma criativa

Sabendo que a eficácia do tratamento é reduzida quando o câncer de mama entra em metástase — ou seja, quando se espalha a outras partes do corpo —, pesquisadores estão testando maneiras criativas de evitar essas recidivas. Uma delas, uma vacina chamada NeuVax, é o estágio final de testes clínicos multinacionais. A vacina é produzida a partir do peptídeo, um pequeno pedaço de proteína do câncer combinado a um estimulante imunológico. Resultados preliminares sugerem que a vacina pode reduzir em 50% o risco de recorrência entre pacientes cujos tumores produzem níveis baixos da proteína HER2, um marcador para câncer de mama mais agressivo. Sem a vacina, essas pacientes têm uma probabilidade de recidiva de 20%, segundo Mittendorf. Ao invés de esperar para ver se o câncer retorna, os médicos aplicam a vacina no momento do tratamento inicial, quando há poucas células cancerosas presentes.

E, para combater os efeitos indesejáveis da quiomoterapia, remédios contra náuseas e massagens também estão sendo comumente usados para minimizar o desconforto das pacientes. Embora não anule seus efeitos, é uma grande evolução.

*The New York Times

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