Conheci o Luís Carlos em uma sexta-feira de chuva intensa na cidade de São Paulo. Depois de 20 minutos rezando para que um táxi passasse em uma esquina da Vila Madalena, o Luís parou. Ufa! Salvou o meu dia e, de quebra, garantiu (tempos depois) um sábado glorioso entre mães e filhas "turistando" em Sampa.
O Luís Carlos é daqueles taxistas que a gente simpatiza na hora. Um ex-policial, casado, com três filhos e um netinho. É alto, gentil, bem vestido e muito educado. Sabe tudo sobre as atrações turísticas de São Paulo (é praticamente uma agenda cultural!). Trabalha há 20 anos oferecendo um serviço diferenciado de táxi. Faz city tour na cidade, compras no supermercado, leva o carro de clientes para revisão, pessoas de idade mais avançada ao médico, enfim, uma mão na roda (e outra na direção!). Para distrair os passageiros, seu carro tem sempre revistas, balinhas 7 Belo e guias da Vila Madalena.
Na primeira oportunidade que tive de passear com crianças em São Paulo, não tive dúvidas. Enviei e-mail para luis.taxi@yahoo.com.br e agendei um city tour de oito horas. Viagem só de meninas, mães superamigas e suas filhotas pré-adolescentes com um forte desejo consumista: comprar capinhas para o iPhone de um tal de Ale das Capas - vendedor ambulante que bate ponto na Venezuela esquina com Avenida Brasil. Sua popularidade tem origem nas redes sociais com uma marca impressionante de seguidores.
Nosso trajeto começou com o melhor pão de queijo que já provamos no café da manhã, feito com o queijo mineiro da Serra da Canastra. Trata-se do fofíssimo Lá da Venda, em plena Vila Madalena. Além de delicioso e lindo, o espaço fica em frente ao Beco do Batman - uma galeria ao ar livre em uma viela cercada por muros coloridos em grafite. Após uma série de #selfies das gurias, iniciamos nosso circuito de táxi às 11 da manhã. Como chovia, a primeira parada foi no Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu. Lá dentro, conhecemos a história do pentacampeão. Entretanto, foi do lado de fora, no estacionamento do estádio, que fomos surpreendidas por outro campeão com sete títulos consecutivos: o pastel da Barraca do Zé na feirinha de sábado, eleito pela revista Veja como o melhor pastel de São Paulo. Baita dica do nosso motora-taxista.
Seguimos em frente para que o Luís nos apresentasse obras arquitetônicas que o fascinam: o Memorial da America Latina, a Sala São Paulo, o Teatro Municipal, os edifícios Copan e Itália. O próximo pit stop foi num dos mais belos pontos turísticos, a Estação da Luz (estação ferroviária construída em 1901). O Luís nos acompanhava se oferecendo para segurar mochila, casacos e tirar fotos da turma.
O city tour chegou ao fim às sete da noite. Dois dias depois, ainda chamamos o Luís para nos levar ao aeroporto. De forma espontânea, minha filha se despediu dele com um forte abraço. Foi a prova sincera de que o Luís não é apenas um taxista. É um guia turístico, fotógrafo e, principalmente, um bom amigo para se ter em São Paulo.