Menos sal, mais saúde

Redução de sódio nos alimentos deve ser mais severa, diz nutricionista

Para especialista do IDEC, resultados apresentados pelo governo devem ser comemorados com cautela

12/08/2014 | 20h24
Redução de sódio nos alimentos deve ser mais severa, diz nutricionista Stock.Schng/Stock.Schng
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Talvez você nem tenha notado, mas o seu corpo deve estar agradecendo. Entre 2011 e 2012, três dos produtos que mais fazem sucesso nas gôndolas dos supermercados — bisnaguinhas, pães de forma e macarrões instantâneos — estão menos salgados. Eles tiveram uma redução de quase 15% na quantidade de sódio, o que representou uma diminuição de 1.295 toneladas da substância na mesa dos brasileiros.

Os dados, divulgados nesta terça-feira pelo orgão federal, correspondem aos primeiros resultados de uma série de quatro acordos feito desde 2011 entre o ministério e a Associação das Indústrias da Alimentação (ABIA), com o objetivo de controlar a quantidade de sódio nos alimentos industrializados. A previsão é que até 2020 mais de 28 mil toneladas do famoso vilão da saúde estejam fora das prateleiras.

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Conforme a coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime, essas medidas visam alertar a população para a importância de reduzir o sal na alimentação e ajudar a melhorar o perfil nutricional do brasileiro:

— O primeiro objetivo foi que as marcas ajustassem a quantidade de sódio a uma média, evitando os excessos que eram encontrados em alguns produtos. Hoje, 95% das empresas associadas à ABIA estão com os valores dentro da média, contra 38% no início de 2011.

Para Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), o resultados apresentados pelo governo devem ser comemorados com cautela, já que, segundo a especialista, é preciso metas mais agressivas para que haja um impacto real na saúde da população. Ana Paula ressalta que, em um levantamento recente feito pelo instituto — que analisou 291 produtos contemplando 16 categorias dos acordos firmados pelo governo —,11% deles indicaram uma quantidade de sódio maior do que o teto estabelecido.

— Além de muitos não cumprirem as metas, elas só evitam o excesso. E não é só o excesso que temos que combater, mas sim diminuir significativamente o consumo da substância. O ideal é sempre optar por alimentos frescos, que possuem quantidade bem pequena de sódio.

Os perigos do excesso

O consumo excessivo de sal está relacionado ao aumento no risco de uma série de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial, doenças renais e cardiovasculares. Elas são responsáveis por 63% dos óbitos no mundo e 72% dos mortes no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que o ideal é consumir no máximo 5 gramas de sal por dia, o que corresponde a cerca de 2g de sódio (a substância corresponde a 40% da composição do sal). O consumo do brasileiro, entretanto, chega a ultrapassar o dobro da recomendação. São 12 gramas diários de sal, uma média de 4,7 gramas de sódio. Conforme Patrícia, é possível reduzir em até 10% as mortes por infarto se o consumo de sódio for reduzido à quantidade recomendada pela OMS.

A próxima etapa da pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde irá avaliar 12 categorias de produtos e os dados deverão ser divulgadas até o final do ano.

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