Prima da dengue

Febre chikungunya tem sintomas semelhantes à dengue

No Rio Grande do Sul, foram confirmados dois casos de brasileiros que moram no Haiti e estavam de passagem pela Capital

03/10/2014 - 09h01min

Neste ano, o Brasil tem motivos em dobro para se preocupar com o mosquito da dengue. É que o temido Aedes aegypti também transmite o vírus de uma doença considerada "prima" da enfermidade já conhecida pelos brasileiros, a febre chikungunya. E há ainda um aliado: o Aedes albopictus, mosquito menos comum no país, mas que também pode carregar o vírus.

Conforme balanço do Ministério da Saúde, foram confirmados 79 casos da doença no país até 27 de setembro. Do total, 38 são importados — as pessoas foram contaminadas em outros países — e dois deles foram registrados no Rio Grande do Sul. O mais preocupante é que a maioria — 41 casos, identificados na Bahia e no Amapá — foram diagnosticados em pessoas sem registro de viagem internacional. Ou seja, a contaminação ocorreu dentro no Brasil.

O Rio Grande do Sul teve sete notificações de casos suspeitos neste ano: dois foram confirmados em Porto Alegre, três descartados e dois estão sob análise laboratorial — um em Caxias do Sul e outro em Estância Velha.

Os casos confirmados foram de um casal de brasileiros que trabalha no Haiti e estava de passagem pela Capital. Conforme Katia Vettorello, enfermeira do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, eles foram picados no Exterior e não há risco de terem infectado mosquitos em Porto Alegre, iniciando-se uma cadeia de transmissões:

— Eles já haviam passado do período em que o vírus está circulando no sangue e pode ser transmitido. No caso da chikungunya, é de no máximo 20 dias após o início dos primeiros sintomas.

Para o infectologista Luciano Goldani, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a prevenção e o combate ao mosquito transmissor devem ser redobrados, já que a circulação de pessoas é muito intensa, e elas podem estar carregando o vírus mesmo antes de manifestar sintomas.

A Secretaria Estadual da Saúde está seguindo as orientações do Ministério da Saúde para prevenção e vigilância da chikungunya. Segundo a bióloga Carmen Silvia Gomes, da Vigilância Ambiental do Programa Estadual de Controle da Dengue, médicos estão sendo orientados e há reforço nas campanhas para redução do acúmulo de água.

Como é a transmissão?

-A febre não é transmitida de pessoa para pessoa. O contágio se dá, aqui no Brasil, pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (menos comum no país), que se proliferam em água parada. Em torno de sete dias após picar uma pessoa contaminada, os mosquitos podem transportar e transmitir o vírus durante toda a vida.

Quais os principais sintomas?

-No início, os sintomas são muito variados e semelhantes aos da dengue. A grande diferença está nas dores musculares e articulares, semelhantes às da artrite, bastante severas e que podem durar semanas ou até meses.

A doença pode matar?

-Diferentemente da dengue, que possui uma variação mais severa — a hemorrágica, cuja taxa de mortalidade pode superar os 10% —, a febre chikungunya não costuma atingir um quadro tão grave. Conforme o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade é muito baixa e não alcança 1% dos infectados. Casos de óbito normalmente ocorrem em pessoas cuja imunidade já está muito debilitada devido a outras complicações.

Como tratar?

-Não há tratamento para curar a infecção, nem vacinas. O cuidado é paliativo, com uso de remédios como paracetamol e anti-inflamatórios para aliviar os sintomas. Se as dores nas articulações forem muito severas e permanecerem por muito tempo, o médico pode recomendar o uso de corticoides.

Como se prevenir?

-Valem as mesmas regras de prevenção à dengue, que é feita pelo controle do mosquito transmissor. Evitar acúmulo de água parada, usada pelos insetos para se reproduzir, é a principal medida. Além disso, quem viajar a locais com transmissão da doença, como República Dominicana, Haiti, Venezuela, ilhas do Caribe, Guiana Francesa e países africanos e do sudeste asiático, deve usar repelentes e tomar outros cuidados para evitar picadas de mosquito.

 
 
 
 
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