Ciúme?

Veja dicas para ajudar na boa convivência entre bebês e cães

Chegada do bebê na família pode afetar comportamento dos cães e exige preparação dos pais

19/01/2015 - 06h03min
Veja dicas para ajudar na boa convivência entre bebês e cães Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS  

No retorno da maternidade, Rafael Bicca Machado, 39 anos, buscou o pug Boris para conhecer o novo membro da família ainda na garagem do prédio, em setembro de 2010. O até então detentor majoritário da atenção da casa lambeu a mão da dona, a advogada Vanessa Maia Monteggia, 40 anos, e, depois de cheirar os pés da bebê Catarina, entraram todos juntos no apartamento.

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Orientado por uma adestradora, o casal de advogados de Porto Alegre utilizou técnicas para que, aos olhos do cão, a filha não se transformasse em uma invasora. O plano para tornar Boris, na época com cinco anos, e a recém-nascida Catarina em grandes amigos ainda passou pela tática de dar ao cão um paninho com o cheiro do bebê e por permitir que ele se sentasse aos pés de Vanessa durante a amamentação.

— Tínhamos medo de que o Bóris sentisse falta de atenção, pois não é possível reparti-la de forma igual com a chegada de um filho. Buscamos ver o que era possível fazer para amenizar esse choque — conta Vanessa, que pretende repetir os procedimentos em março para a chegada do segundo filho, Frederico.

Comportamento canino não é padrão

De acordo com a veterinária e doutora em psicologia Ceres Faraco, as reações do cão com o nascimento de uma criança vão depender da qualidade de socialização que o animal teve ao longo da vida, da forma como foi preparado para a chegada do bebê e de como as pessoas estarão se relacionando com ele durante esse período. O comportamento canino pode também variar conforme as características de cada raça e das experiências de vida — ou seja, as emoções e sentimentos não são padronizados e sofrem também adequações conforme o animal.

Ceres afirma que é muito difícil saber sobre as emoções e os sentimentos de espécies diferentes. Por isso, não se pode afirmar que os cães podem desenvolver ciúme.

— Sabemos que o comportamento que expressam, se fossem pessoas, seria reconhecido como de ciúme. Eles sofrem se há falta de atenção, se ficam em isolamento ou se sua rotina e necessidades não são atendidas — afirma.

Cuidados com a saúde do bebê

O pediatra e coordenador do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do RS Renato Santos Coelho lembra que, para garantir a saúde da criança, são necessários alguns cuidados básicos na lida com animais de estimação. O pet que está em contato com bebês deve ser doméstico, ou seja, permanecer apenas dentro de casa, uma vez que os cachorros e gatos que têm acesso à rua estão muito mais expostos a zoonoses.

Não custa lembrar que eles precisam estar com a vacinação em dia e, por mais que sejam considerados membros da família, cães reagem aos seus instintos.

— Animal é irracional, mas temos uma tendência de humanizá-los. Pode ser que o bebê agarre o rabo do cachorro e, por reflexo, ele reaja — lembra o pediatra.

Veja algumas dicas para ajudar na boa convivência entre o bebê e os cães

— É importante que todos socializem de forma adequada com os cães. Isso significa propiciar contatos positivos com crianças, adultos, idosos e outros animais, inclusive de outras espécies (quando for possível).

— Deve-se preparar o cão, sua rotina e o ambiente antes de o bebê nascer. O animal não deve associar as mudanças com a chegada da criança, para sempre guardar sensações agradáveis de sua presença.

— Deve-se pensar em como o cão ficará em casa: seus locais de dormir, comer e eliminar. O ideal é realizar todas estas alterações precocemente.

— Lembrar que a rotina também deve ser pensada e determinar quem ficará responsável por passeio, refeição, banho e outras necessidades. Reserve um tempo para dar ao cão atenção e carinho.

— Uma tática muito usada é dar um paninho ou peça de roupa do bebê logo que ele nascer para o cão assimilar o cheiro.

— Também é recomendado que o bebê nunca seja deixado sozinho junto ao cachorro e que seja apresentado ao animal no colo do dono.

— O pet deve sentir o cheiro do bebê, mas por causa das bactérias, lambidas devem ser evitadas no primeiro mês.

— Vale lembrar que é indispensável levar o animal para uma avaliação veterinária.

Fontes: veterinária Ceres Faraco e pediatra Renato Santos Coelho

 
 
 
 
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