Tratamento

Grupos de apoio podem ajudar pessoas com depressão

Criada em 1964 e presente em quase todos os Estados, a irmandade Neuróticos Anônimos mantém seis grupos em Porto Alegre e um em Caxias do Sul

19/08/2016 - 14h28min | Atualizada em 22/08/2016 - 15h11min

Criada em 1964 e presente em quase todos os Estados, a irmandade Neuróticos Anônimos (sigla N/A) — para diferenciar-se dos Narcóticos Anônimos (NA) — mantém seis grupos em Porto Alegre e um em Caxias do Sul. O objetivo é a troca de experiências e o auxílio mútuo entre pessoas que sofrem de vários transtornos, como depressão, angústia, ansiedade, nervosismo, irritação, intolerância, agressividade, solidão, medo, insegurança e ciúme.

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A irmandade — como os próprios membros pedem que seja chamada — conta com 12 passos sugeridos de neuróticos anônimos, um guia em busca de serenidade elaborado pelo psicólogo norte-americano Grover Boydston (1924-1996) que, em 3 de fevereiro de 1964, adaptou os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos dos Estados Unidos para os pacientes com algum tipo de transtorno mental.

De acordo com um dos integrantes do grupo do núcleo central de Porto Alegre (que não quis se identificar), um dos primeiros passos para o tratamento de uma doença psíquica é a "rendição" e a "aceitação" do problema por parte do paciente.

— A aceitação da doença é fundamental. Quem não se sente doente, não procura ajuda. Mas isso é mais difícil para doenças como alcoolismo, dependência química ou transtorno bipolar. Na depressão, o sofrimento é quase palpável, e o paciente costuma aceitar mais facilmente o fato, o diagnóstico e o tratamento — comenta a psiquiatra Ieda Bataioli.

Antônio (nome fictício) conta que a convivência nos grupos do N/A em Porto Alegre lhe ajudou a lidar com os lutos familiares e com a depressão que enfrentou nos últimos tempos. Em março passado, ele perdeu o pai, vítima de câncer.

— Antes, quando meu avô morreu, quase entrei no caixão com ele, de tão mal que fiquei. Desta vez, quando perdi meu pai, eu era a pessoa mais serena da minha família. Hoje, vivo um luto sadio e sei que a vida é muito linda, mesmo nas perdas — diz Antônio.

Para saber mais sobre os grupos e horários de atendimento, acesse neuroticosanonimos.org.br.

 
 
 
 
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