Na folga

Alexandra Aranovich: turismo farroupilha

Inspirações e incentivos para turistar dentro de casa

Por: Alexandra Aranovich
10/09/2016 - 05h05min | Atualizada em 10/09/2016 - 05h05min

Vários parques, hotéis e atrações turísticas do Estado americano da Flórida oferecem descontos e benefícios especiais para seus residentes. Isso sempre me chamou a atenção. É um excelente incentivo para turistar "dentro de casa". Trago esse assunto em meio aos festejos da Semana Farroupilha como uma inspiração. E, se além de valorizar as tradições gaúchas, os ideais e os líderes da revolução, a data também fosse vista como uma oportunidade de o gaúcho conhecer mais a sua terra?

Foi depois de uma recente experiência pessoal, rodando o Rio Grande do Sul, que voltei com a ideia de atravessar mais a fronteira do portão de casa com meus filhos. Me vi como uma típica "gaúcha de apartamento". Em julho, participei de um projeto independente que uniu uma tropa de cinco blogs de viagem. Foram 10 dias na estrada percorrendo 16 cidades que têm ligação com a Revolução Farroupilha. Nosso objetivo não era apenas ir em busca dos fatos históricos, mas também descobrir atrativos turísticos da região.

Não dá para negar que, em certas localidades, percebemos a falta de estrutura para receber os visitantes e nos decepcionamos com a preservação do patrimônio. Mas a hospitalidade e o encantamento superaram os pontos fracos. A viagem foi uma revolução no nosso olhar. Vimos paisagens que pareciam saídas de filmes – e, aliás, saíram mesmo. Muitos cenários inspiraram escritores, filmes e seriados (O tempo e o vento, A casa das sete mulheres, Anahy de Las Misiones e Valsa para Bruno Stein).

Provavelmente, Caçapava do Sul (e as Minas do Camaquã), a fronteira Livramento-Rivera, Pelotas, São Lourenço do Sul ou mesmo o passeio em Guaíba ainda vão render uma coluna por aqui. O texto de hoje é só um "trailer". A poucos quilômetros, existe um mundo a ser desbravado: a Costa Doce, o Pampa Gaúcho, os vinhos da Campanha, as charqueadas, os doces de Pelotas, os sobrados e casarios, as praias (de mar e lagoa), as oliveiras (com o futuro promissor dos azeites gaúchos) e o turismo de aventura.

Com a chama bem apagada nos últimos tempos, a viagem feita em julho reacendeu o orgulho gaúcho. Aproveitei o embalo gaudério e segui a minha peregrinação Farroupilha passando, na companhia da minha filha, pelo Acampamento do Parque Harmonia em Porto Alegre. Por lá, a dica para quem não visitou o evento e suas melhorias nos últimos anos é seguir as placas até o Turismo de Galpão e agendar um tour guiado com o Roque. Vale a pena.

Programe-se também para conferir uma das oficina gratuitas e fazer uma refeição em um piquete. Com os filhos (ou grupo de amigos e crianças), indico fortemente o caprichado Piquete Alma Redomona de Naira Jobim (tire foto no cavalo biônico!) e o Piquete Fazendinha (que tem animais, horta e até café rural). Ah, e se servir de isca para a visita mirim, há dois PokéStops no parque.

Por fim, a inspiração da Flórida é uma sementinha. Idealizei uma espécie de "Semana do Turismo Farroupilha", na qual todo o Estado (e principalmente as cidades que fizeram parte da Revolução Farroupilha) encorajasse o turismo doméstico. Afinal, assim como eu ou meus filhos, nem todo gaúcho nasce pilchado. Há uma estrada em busca dessa identidade.

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