Prevenção

Exames oftalmológicos podem diagnosticar diversas doenças que não têm origem no sistema visual

Avaliação pode identificar problemas como diabetes, hipertensão e até câncer

Por: Fernanda da Costa
04/09/2016 - 05h00min | Atualizada em 04/09/2016 - 05h00min
Exames oftalmológicos podem diagnosticar diversas doenças que não têm origem no sistema visual Divulgação/Visão
Foto: Divulgação / Visão

Não é porque você tem boa visão que pode ficar longe dos consultórios oftalmológicos. Recomendados pelo menos anualmente, os exames de visão possibilitam identificar enfermidades que não têm origem no sistema visual. A lista é tão grande que contempla doenças reumáticas, infecciosas, cardiovasculares, metabólicas e neurológicas.

Isso ocorre porque o olho é o único órgão do corpo em que os médicos conseguem visualizar os vasos sanguíneos e o tecido neural sem necessidade de intervenções, explica a oftalmologista Marcele Rizzatti, do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre. Devido a essa característica, a maioria das patologias pode ser diagnosticada no exame ocular. Ver uma inflamação intraocular, por exemplo, permite que os médicos identifiquem infecções em outras partes do corpo, como tuberculose, sífilis e HIV.

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A retina é uma das estruturas do olho que oferece grande possibilidade de diagnosticar doenças sistêmicas. Chefe do serviço de Oftalmologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor titular da UFRGS, Jacó Lavinsky exemplifica que o exame do fundo do olho permite encontrar repercussões oculares de doenças importantes como diabetes, arterioesclerose e hipertensão, entre muitas outras. O exame da retina também pode indicar problemas neurológicos, como a esclerose múltipla, e vasculares, como a obstrução de carótidas.

— Ainda podemos identificar tumores próprios do olho e tumores distantes, como o melanoma e o de mama — afirma Lavinsky.

Diabetes e hipertensão podem ser identificadas

Entre as doenças com manifestações no olho, o diabetes é a mais importante. Além das alterações na retina, a patologia também pode provocar catarata, estrabismo e inflamação do nervo óptico, chamada de neurite óptica. Lavinsky enfatiza que as repercussões oculares do diabetes podem ser parcialmente evitadas controlando os fatores de risco: controle da glicemia, hipertensão arterial, problemas renais, obesidade e sedentarismo.

— Quando a doença repercute na região central da retina, chamada mácula, a baixa de visão é imediata. Porém, quando atinge a periferia da retina, em muitos casos o paciente nem percebe o problema — explica o oftalmologista.

Outro distúrbio importante que tem manifestações oculares é a hipertensão. Todo paciente hipertenso desenvolve arteriosclerose e, como os vasos da retina são semelhantes aos do cérebro e dos rins, o exame do olho permite quantificar os danos da esclerose cerebral e renal.

O exame oftalmológico também permite identificar inflamações causadas por doenças de origem imunológica ou infecciosa, quando elas provocam inflamações na camada média do olho, chamada de uveítes. Artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, tuberculose, sífilis e toxoplasmose, muito frequente no Rio Grande do Sul, são exemplos de doenças que podem causar uveítes.

Na infância

As crianças também precisam visitar o oftalmologista. A avaliação é fundamental para identificar deficiências visuais por falta de desenvolvimento da visão, chamadas ambliopias. Isso ocorre nos estrabismos em que a criança, para não ver duplo, suprime involuntariamente a imagem de um olho. Com isso, ela acaba não desenvolvendo a visão do olho suprimido. A recuperação deste olho é possível por meio de estimulação até os seis anos, fase em que a visão está em desenvolvimento.

 






 
 
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