Alerta

ONU pede mobilização geral contra resistência aos antibióticos

Segundo um estudo britânico recente, as superbactérias podem chegar a matar até 10 milhões de pessoas por ano em 2050

Por: AFP
21/09/2016 - 17h42min | Atualizada em 21/09/2016 - 17h46min
ONU pede mobilização geral contra resistência aos antibióticos StudioSmart/Shutterstock
Foto: StudioSmart / Shutterstock

Líderes do mundo inteiro pediram nesta quarta-feira uma mobilização de governos, médicos, laboratórios e consumidores para frear a ameaça crescente das chamadas superbactérias, resistentes a todos os antibióticos conhecidos, que geram um grande número de doenças cada vez mais difíceis de curar.

— A resistência antimicrobiana representa uma ameaça fundamental de longo prazo para a saúde humana, a produção de alimentos e o desenvolvimento — declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao abrir a primeira reunião sobre este assunto convocada em uma Assembleia Geral da ONU. 

— Estamos perdendo nossa capacidade de proteger tanto os humanos como os animais de infecções mortais — acrescentou.

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Como exemplo, Ban Ki-moon citou uma epidemia de febre tifoide resistente aos antibióticos que está se espalhando na África, a crescente resistência aos tratamentos contra a Aids e a progressão de uma forma de tuberculose resistente a antibióticos já registrada em 105 países.

Segundo um estudo britânico recente, estas superbactérias podem chegar a matar até 10 milhões de pessoas por ano em 2050, ou seja, serão tão mortais quanto o câncer.

— A situação é ruim e está piorando. Alguns cientistas falam de um tsunami em câmera lenta — expressou a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan. — Se continuarmos assim, uma doença banal como a gonorreia se tornará incurável. Você irá ao médico e o doutor se verá obrigado a te dizer: "sinto muito, não posso fazer nada por você".

Chan ressaltou que durante anos não se desenvolveu nenhuma nova classe de antibióticos, e que o retorno do investimento neste tipo de medicamentos é insuficiente para a indústria farmacêutica. Ela pediu uma ação coordenada de todos os setores, tanto públicos como privados, governos, profissionais de saúde, laboratórios e consumidores. Estes últimos "devem poder comer carne sem antibióticos", disse, em relação à transmissão de infecções resistentes aos antibióticos a partir da carne de animais para os consumidores, amplamente documentada.

Para impulsionar todos os agentes públicos e privados a participarem dessa luta, os líderes reunidos em Nova York aprovaram uma declaração em que se comprometem a reforçar a regulação do uso de antibióticos, disseminar o conhecimento sobre este fenômeno, incentivar a busca de novas classes de antibióticos e estimular os tratamentos alternativos.

*AFP

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