Setembro Amarelo

Suicídio: o mal invisível que mata mais de mil gaúchos por ano

Rio Grande do Sul lidera os índices no país. Para debater o tema tabu, foram criados o Setembro Amarelo e o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, neste sábado

Por: Letícia Duarte
09/09/2016 - 11h00min | Atualizada em 09/09/2016 - 12h11min
Suicídio: o mal invisível que mata mais de mil gaúchos por ano Vincent Van Gogh/Reprodução
Detalhe da pintura "Quinze girassóis num vaso", de Van Gogh Foto: Vincent Van Gogh / Reprodução

Três gaúchos morrem a cada dia de uma doença invisível. Um mal silencioso e silenciado, sombreado pelo tabu. Até pouco tempo atrás, dizia-se que era tão perigoso que melhor nem falar sobre isso. As palavras poderiam matar.

Só que o silêncio tampouco ajuda. À margem das discussões públicas, os casos se alastram. Mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo, o que representa uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, são 32 mortos diariamente, taxa superior à de vítimas de aids e de alguns tipos de câncer. E o Rio Grande do Sul lidera os registros no país, com 10,4 casos a cada 100 mil habitantes – é o dobro da média nacional.

Para entender por que isso acontece, é preciso se despir das fórmulas prontas e do senso comum. Não, isso não é "coisa de louco". Nem uma questão de "não querer se ajudar". Nesta reportagem, ZH encara o dilema que desafia inclusive o jornalismo para se somar à campanha mundial de conscientização, chamando atenção para o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, neste 10 de setembro. Assim como o Outubro Rosa se consagrou como o mês de atenção ao câncer de mama, foi criado o Setembro Amarelo para estimular a prevenção das mortes por suicídio. No país, a campanha foi iniciada em 2014 pelo Centro de Valorização da Vida, pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Brasileira de Psiquiatria – e a cada ano tem crescido, difundindo o slogan Falar é a melhor solução. Por mais difícil que seja enfrentar a questão, estudiosos do assunto têm convicção de que o estigma é um dos principais obstáculos à prevenção.

LEIA A SEGUNDA E A TERCEIRA PARTES DESTA REPORTAGEM:
> Ouvir sem julgar é a melhor forma de ajudar quem pensa em suicídio
> Nery José Botega: "Não estamos propensos a agir em cima dos sinais"

– Ouvimos muito alarido sobre as mortes causadas por zika vírus, dengue e gripes. Mas nada ouvimos sobre as mortes causadas pelos suicídios. Nos últimos 19 anos, foram 21.513 pessoas mortas, um número que excede a população de São Francisco de Paula – compara o psiquiatra Ricardo Nogueira, coordenador do Centro de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio do Hospital Mãe de Deus e autor do livro Prevenção do suicídio – Implantação de uma rede intersetorial (2015), com base em seu mestrado sobre o tema.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, nove em cada 10 casos poderiam ser evitados. O diálogo é considerado o primeiro passo para interromper o ciclo de autodestruição.

– No momento em que a gente não fala, dá a impressão de que o problema não existe. Ou que existe e não tem solução. Como ajudar alguém se você não pode perguntar claramente se ele está pensando em tirar a própria vida? – indaga o psiquiatra Rafael Moreno Ferro Araújo, presidente do recém criado Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS).

Mas como falar? A dor pela perda de um familiar nessas circunstâncias pode ser tão dilacerante que há quem não queira ou não consiga compartilhá-la. Outros estão dispostos a conversar, mas o estigma de frases cochichadas como "aquela ali é mãe daquela que se matou" amplia a estridência da falta e o sentimento de culpa, por isso preferem o anonimato.

– A gente vê o suicídio quase como uma falência pessoal, e não tem nada a ver. É como ficar doente: ninguém escolhe ficar gripado, mas as pessoas vão se gripar. Existe muito preconceito em relação à doença mental, mas é uma patologia como qualquer outra. Existem saídas, e a melhor forma de resolver é buscar tratamento – aconselha o psiquiatra Jair Segal, Coordenador da Equipe de Saúde Mental do Hospital de Pronto Socorro (HPS) e também membro do Comitê da APRS.

A própria ideia de que o suicídio é uma opção passa a ser questionada. Se o paciente atravessa uma desordem mental e emocional, teria de fato condições de escolher alguma coisa?

– Ninguém quer morrer. Se vem à cabeça esse tipo de pensamento é um sintoma, e não um desejo – afirma a psiquiatra Roberta Grudtner, presidente da Associação em Defesa da Saúde Mental Integral (Adesmi), integrante da Comissão de Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenadora da residência médica em psiquiatria do Hospital São Pedro.

Para Roberta, a revisão do tabu é essencial para que qualquer um seja capaz de reconhecer os sinais. Assim como todo mundo sabe que alguém com forte dor no peito pode estar enfartando, é preciso aprender a identificar evidências menos palpáveis que ameaçam a vida.

– A "dor no peito", no caso do suicídio, pode ser a repetição de frases como "a vida não vale a pena", "eu só dou trabalho para os outros", "seria melhor estar morto". Em vez de dizer "deixa de bobagem", a pessoa que está ouvindo pode perguntar: "O que tu está pensando?", "vamos procurar ajuda?" – orienta a psiquiatra.

Ao contrário do que preconiza o senso comum, o psiquiatra Jair Segal reforça que é um mito a ideia de que "quem quer se matar não fala", ou que quem fala está em busca de atenção.

– Cão que ladra morde, sim – alerta.

"NÃO POSSO DIZER QUE ESTOU CURADA, MAS
NÃO TENHO MAIS VERGONHA DE FALAR"

Ao despertar em um hospital, Franciele Nunes descobriu que as outras quatro pessoas no quarto também haviam tentado se matar Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Cada vez que vê um amigo postando nas redes sociais frases como "Quero morrer", a relações públicas Franciele Nunes, 22 anos, puxa uma conversa privada para saber o quanto pode haver de verdade atrás do que todo mundo interpreta como brincadeira. Aprendeu que palavras aparentemente banais podem revelar tormentos inconfessáveis. Foi assim com ela. Em abril de 2012, depois do fim de um conturbado relacionamento, viu se agigantar aquela melancolia que a rondava desde a infância. Emagreceu 10 quilos, não tinha vontade de sair do quarto. Trancou cadeiras na faculdade de Relações Públicas na PUCRS, largou o estágio. Quando tocava no assunto, todo mundo dizia: "Que besteira", "vai passar". Não passava. E, na tarde de 22 de junho daquele ano, atentou contra a própria vida..

– Na hora eu não pensava: "Quero acabar com a minha vida". Pensava: "Não quero mais sentir essa dor". Como se pudesse arrancar – lembra.

Quando acordou horas depois, no hospital, sentiu-se frustrada. Só queria voltar a dormir, se possível dormir para sempre. Descobriu que os quatro pacientes que dividiam com ela a ala psiquiátrica estavam lá pelo mesmo motivo. Uma realidade comum: somente no ano passado, foram 3,3 mil notificações de tentativas de suicídio contabilizadas no Estado – uma média de nove casos ao dia.

Com ajuda das sessões de psiquiatria e psicologia, Franciele começou a entender que sofria de depressão, com raízes bem mais profundas do que o fim de seu namoro. Recorda que, ainda criança, sem que a família soubesse, já tomava remédios para dormir quando se sentia muito triste. Os pais passavam a maior parte do dia fora, trabalhando, preocupados em assegurar conforto material à família. Nem desconfiavam que a filha, mesmo muito jovem, já pensava em formas de cometer suicídio.

– A vida inteira eu tive sintomas de depressão. Me sentia sozinha, mas nunca falei com ninguém. Não culpo minha família, eu me isolei. E, assim como eu tinha meus problemas, eles tinham os deles – reflete.

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A partir do acompanhamento clínico e da medicação continuada, ganhou forças para buscar outros caminhos. Teve recaídas depressivas, mas aos poucos passou a entender mais sobre amor próprio e autocuidado. Em 2014, conseguiu colocar um ponto final no namoro tempestuoso, marcado por idas e vindas e conflitos. Nas redes sociais, o casal sempre postava fotos apaixonadas.

– Todo mundo quer parecer feliz nas redes. As pessoas fingem que são felizes, têm medo de ser julgadas – analisa Franciele, que só um ano depois do fim da relação criou coragem para contar o que acontecia para os amigos.

Ela percebe agora que o relacionamento era mais uma faceta autodestrutiva em sua vida, um roteiro que quer deixar para trás. Formou-se no ano passado e hoje trabalha como freelancer. Todo domingo, costuma ir com amigos ao parque da Redenção – uma conquista e tanto para quem antes não queria sair do quarto. Quando fica angustiada ao ver notícias ruins, vai pesquisar na internet alguma novidade boa. Também renovou a sua fé – e encontra em leituras religiosas e motivacionais inspiração para os momentos mais críticos:

– Este ano está sendo bem desafiador, mas estou orgulhosa de mim. Não posso dizer que estou curada, é um trabalho diário. Controlar pensamentos é algo bem desafiador. Mas não tenho mais vergonha de falar sobre isso. Hoje rezo toda noite e agradeço pelas pequenas coisas. Faço questão de dizer para as pessoas que eu gosto delas. É tão bom ouvir que alguém gosta da gente, né?!

"PRECISAMOS DE AÇÕES DE IMPACTO PARA
REDUZIR DRASTICAMENTE OS NÚMEROS"

Garantir o acompanhamento a pacientes como Franciele é um dos desafios da rede de saúde. Como o maior grupo de risco para suicídio é formado justamente por pessoas que já tentaram cometê-lo, os serviços estão sendo capacitados para passar a acompanhá-las. De 15% a 25% das pessoas que tentam suicídio cometem nova tentativa no ano seguinte e 10% delas conseguem se matar nos 10 anos seguintes, de acordo com o Guia de Prevenção ao Suicídio editado pela Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde.

– Suicídio sempre aconteceu. Até no tempo bíblico, Judas se enforcou. Não é algo que se vá erradicar, como sarampo. Mas precisamos de ações de impacto para reduzir drasticamente os números. É inadmissível que uma pessoa que tentou suicídio entre no serviço de saúde e seja atendida como se tivesse batido o dedo na porta, e ainda há lugares em que isso acontece, por falta de sensibilidade dos profissionais – adverte a coordenadora estadual do Programa de Vigilância da Violência Interpessoal e Autoprovocada, a assistente social Andréia Volkmer.

Desde 2011, uma normativa do Ministério de Saúde determina a notificação de tentativas de suicídio. A partir de 2014, a norma foi aperfeiçoada com a exigência de que a comunicação seja feita em 24 horas, para garantir intervenção imediata.

O regramento tem contribuído para o aumento nos registros, que passaram de 10 casos notificados, em 2009, para 3.304, no ano passado.

– A rede está ficando mais sensível a esses casos, mas os episódios ainda são em número muito maior do que o que chega a nosso conhecimento – reconhece Andréia.

Para mudar essa realidade, foi criado um grupo de trabalho, coordenado pela Secretaria Estadual da Saúde, com o compromisso de elaborar uma política estadual de prevenção ao suicídio. A implantação do programa começou no início deste ano, com a capacitação de mais de mil servidores de equipes municipais, entre eles profissionais da atenção básica, da saúde mental e da vigilância em saúde.

– Não basta só saber que tem que notificar, as equipes de saúde têm de ser sensibilizadas. É preciso saber como fazer a abordagem. Acompanhar o caso pressupõe que a equipe tenha um bom preparo – explica a médica sanitarista Alethéa Sperb, voluntária do CVV e integrante da Associação Médica Espírita do Rio Grande do Sul.

Uma boa experiência de trabalho preventivo vem sendo desenvolvida no município de Riozinho, no Vale do Paranhana, com 4,5 mil habitantes. No final de 2014, após a descoberta de que uma senhora da cidade havia tentado se suicidar seis vezes, foi criada uma Linha de Cuidado aos Pacientes com Tentativa de Suicídio. A partir dali, todos os pacientes que manifestavam algum sintoma de desvalia da vida, como as frases típicas "minha vida não tem sentido" ou "sou um peso para minha família", eram convidados a uma avaliação médica na Unidade Básica de Saúde, que ganhava prioridade, sendo tratada como urgência. Na consulta, o médico André Bendl fazia uma análise do risco e de possível transtorno mental. Se tivesse havido tentativa de suicídio, por exemplo, o paciente passava a ser acompanhado diariamente. Quando a ideia estava no imaginário, as pessoas eram acompanhadas por sete dias; depois, a cada três dias, até a exclusão do risco. Também foi criado um grupo de partilha de experiências.

– Na literatura médica, consta que 90% dos suicídios estão associados aos transtornos mentais, principalmente com depressão. E verificamos aqui muitos casos não diagnosticados de depressão – conta o médico responsável.

Com a maior atenção ao problema, o número de casos diminuiu sensivelmente. Até 2014, Bendl diz que a média era de um suicídio em Riozinho a cada quatro meses. De julho de 2005 até o início deste mês, não houve caso registrado. Apesar das conquistas, os desafios permanecem.

– O grupo começou com 10 pessoas e chegou a ter 74 participantes, mas acabou se desfazendo devido à dificuldade de acesso, pois muitos moram na zona rural. Além disso, também têm o receio de ficarem faladas na cidade, então tudo precisa ser confidencial. Estamos batalhando para retomar o trabalho – diz.

"O FATOR MAIS TÓXICO, O ABUSO
EMOCIONAL, É O MENOS FALADO"

Pintura "Doze Girassóis numa Jarra" Foto: Van Gogh / Reprodução

Pergunte a qualquer profissional de saúde qual é a causa do suicídio, ou por que o Rio Grande do Sul é o campeão em número de notificações no país, e a resposta provavelmente vai começar com: "É uma questão complexa e multifatorial".

– Não tem uma resposta pronta. Não é como dizer: "Ah, a pessoa pegou muito sol, por isso teve câncer de pele". Ou: "A pessoa come muito sal, por isso tem hipertensão". Em suicídio, cada caso é um caso. Uma pessoa pode se matar porque brigou com o namorado, outra porque perdeu o emprego, outra porque bebe demais – exemplifica o psiquiatra Rafael Moreno.

Em 90% dos casos, há associação com um transtorno mental, mas a depressão não é, ao contrário do que costumeiramente se pensa, a única responsável. A associação com outros fatores, como uso de álcool e drogas, potencializa o perigo.

– A depressão sozinha não aumenta tanto o risco. É preciso um outro transtorno combinado, como, por exemplo, uma depressão mais um trauma infantil, principalmente o abuso emocional – afirma Moreno.

Em seu estudo de mestrado, o psiquiatra concluiu que pessoas submetidas a abuso emocional severo na infância – como crescer ouvindo que "não devia ter nascido", "não serve para nada", ou sendo cobradas excessivamente – têm 20 vezes mais chances de tentar suicídio. Já quem sofre abuso sexual severo tem um risco três vezes maior, e o abuso físico não apresentou relação. A pesquisa, que entrevistou 70 mil pessoas no país e foi realizada em parceria com o orientador Diogo Lara, foi publicada neste ano na revista European Psychiatry.

– O mais tóxico, que é o abuso emocional, é o menos falado. O poder da palavra é superior ao poder da punição física – alerta Moreno.

O crescimento dos casos de suicídio entre crianças e adolescentes também tem chamado a atenção dos especialistas. Entre 2002 e 2012, as faixas em que as taxas de suicídio mais aumentaram no Brasil foram as dos 10 aos 14 anos (40%) e as dos 15 aos 19 anos (33,5%). Em seu trabalho de mestrado pela UFRGS, a psiquiatra da infância e da adolescência Berenice Rheinheimer constatou ainda aumento considerável nas tentativas de suicídio por envenenamento de gaúchos dos oito aos 17 anos. Em 2005, foram 492, contra 626 em 2013.

– Percebemos que o perfil das crianças é diferente dos adultos. O mês em que ocorrem mais mortes de crianças por suicídio é outubro, o que pode indicar uma relação com a questão do ano escolar. E também percebemos que as famílias não cuidam muito o acesso à medicação, o que pode ser um facilitador – analisa.

Para compreender melhor a realidade gaúcha, Berenice pretende agora analisar os números de tentativas de suicídio em todas as idades, buscando nas emergências hospitalares as informações. Em parceria entre a UFRGS e a Secretaria Estadual da Saúde, a previsão é começar a pesquisa até o início do próximo ano.

– No Brasil, praticamente não há dados. Existem várias hipóteses, mas trabalhamos com bibliografia europeia, nada é comprovado – observa Berenice.

Entre as hipóteses tradicionalmente apontadas para o fato de o Rio Grande do Sul liderar o registro de casos no país, aparece o uso de agrotóxicos – o que poderia explicar a alta incidência em regiões agrícolas – e a presença de migrações no Estado, como a germânica, marcada por uma cultura rígida e de autocobrança. Mas, ao analisar uma série de pesquisas internacionais sobre o tema, um grupo de psiquiatras do Vale do Taquari e do Rio Pardo encontrou indícios que desconstroem essas explicações. Em um trabalho intitulado Mitos e verdades sobre suicídio, apresentado neste ano no Ciclo de Avanços em Clínica Psiquiátrica da APRS, a equipe concluiu que o risco agregado pelos agrotóxicos existe, mas é menor do que o imaginado.

– O que realmente está associado é o estilo de vida do agricultor e a forma de produção. Se há um problema na safra, por exemplo, ele perde todo o dinheiro, e isso é um estressor que pode levar ao suicídio – afirma Rafael Moreno, que coordenou o trabalho.

Ao destrinchar dados sobre suicídio em diferentes regiões do Estado, o grupo também constatou que, independentemente do tipo de colonização, seja germânica, italiana ou açoriana, as taxas são semelhantes. Seria então por causa das baixas temperaturas que o Rio Grande do Sul teria uma média maior do que a nacional? Outro mito, aponta o estudo. Os dados globais revelam que as maiores taxas de suicídio ocorrem na primavera e no verão.

– Os maiores índices do mundo estão na Guiana, que é quente. No Leste Africano também temos índices altíssimos – salienta Moreno.

Em meio ao emaranhado de dados, uma das conclusões do trabalho é que o isolamento social e o fato de a pessoa "se sentir um peso" estão na base da vontade de acabar com a própria vida. E nem sempre é o paciente mergulhado em uma depressão profunda quem vai tentar o suicídio.

– O mais perigoso não é quando a pessoa está no fundo do poço, mas quando está entrando ou saindo do poço, porque aí tem energia para executar o plano – observa o psiquiatra.

Fatores genéticos também contribuem para o suicídio, mas sempre associados com questões sociais e ambientais.

– Alguns estudos mostram que a chance de herdabilidade pode ser de até 50%, mas isso não significa que pessoas com histórico familiar vão cometer suicídio. Isso depende de fatores sociais e ambientais. O fator genético existe, mas não é determinante – pondera o psiquiatra Jair Segal, do HPS. 

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ONDE BUSCAR AJUDA
> Centro de Valorização da Vida

> Oferece ajuda por telefone, chatskypeemail e presencialmente
Telefones 141 (24 horas, para todo o país, pago) e 188 (gratuito, apenas para o RS)
www.cvv.org.br
facebook.com/cvv141

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SITES COM ORIENTAÇÃO
> Setembro Amarelo

> Movimento Conte Comigo

Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio

> Cartilha Suicídio: Informando para prevenir
Produzida pela Associação Brasileira de Psiquiatria e do Conselho Federal de Medicina. Disponível no site do CVV, na aba Conheça Mais ou em zhora.co/cartilha-prevenir

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VAN GOGH

As pinturas que ilustram esta reportagem são Quinze girassóis em uma jarra (1889) e Doze girassóis em uma jarra (1888), de Vincent Van Gogh. O artista holandês, que sofria de transtornos mentais, morreu aos 37 anos, em 1890, num ato interpretado como suicídio. A biografia Van Gogh: A vida, lançada em 2011, causou polêmica ao sugerir que o pintor tenha sido atingido acidentalmente por um tiro disparado por meninos.

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> Ouvir sem julgar é a melhor forma de ajudar quem pensa em suicídio


 






 
 
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