Saúde animal

Por que alguns donos de pets estão optando por planos de saúde para os animais

Opções ainda são poucas no Rio Grande do Sul, mas contratantes avaliam que, em alguns casos, a mensalidade compensa uma série de outros custos

Por: Guilherme Justino
11/07/2017 - 22h00min | Atualizada em 11/07/2017 - 22h00min
Por que alguns donos de pets estão optando por planos de saúde para os animais André Feltes/Especial
Observada por Gabrielle, a veterinária Claudia Bauer atende as pugs Sophia e Charlote. Por mês, a dona gasta R$ 160 com as duas   Foto: André Feltes / Especial  

Criar um animal doméstico custa caro. É ração, vacina, banho, tosa e castração, uma série de gastos que vão desde os primeiros dias e que devem ser mantidos até os últimos anos para que o bichinho tenha uma vida saudável. E, mesmo quando não faltam carinho e um bom lar, a saúde, por vezes — talvez por causa dos custos — acaba negligenciada. Como os pets nem sempre dão sinais claros de que algo não vai bem, pode ser que a consulta a um veterinário só aconteça quando um probleminha pontual acaba tornando-se uma questão mais grave.

Projetada tanto para a prevenção quanto para o tratamento, uma opção tem sido oferecida para donos de pets: planos de saúde. Os serviços incluem desde consultas até vacinas, exames e procedimentos clínicos, além de alguns tipos de cirurgia. Nos pacotes mais completos, há sessões de acupuntura e fisioterapia.

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Os planos funcionam como nas versões para humanos: paga-se uma mensalidade à empresa contratada e, nas clínicas conveniadas, os serviços acabam saindo por um preço menor (quando há coparticipação) ou até de graça. Há limites anuais, carências e, em alguns casos, taxas de adesão, assim como nos planos de saúde para humanos.

Da mesma forma, o valor também pode variar conforme o segurado — no caso, dependendo da espécie, da raça, da idade e da existência de problemas prévios de saúde.

— Os planos cobrem desde os casos mais simples, em que o foco é mesmo a prevenção, até os mais complexos, que exigem um cuidado maior — explica Murillo Trauer, sócio da Nofaro, empresa com rede conveniada em Porto Alegre, Região Metropolitana, Litoral e Serra que oferece seguro saúde animal.

Consolidado em alguns Estados do Nordeste e do Sudeste, especialmente em São Paulo, o mercado é relativamente novo no Rio Grande do Sul. Por enquanto, são poucas as instituições, e há um número restrito de clínicas conveniadas. A maioria concentra-se em Porto Alegre.

— O mercado ainda engatinha por aqui. Isso é normal. A oferta é uma coisa nova. As pessoas não sabem bem avaliar se vale a pena contratar um plano. Mas é como fazer um seguro para o carro: você só vai se dar conta quando mais precisa — avalia Munir Raad, diretor da Animed, inaugurada há 10 anos na Capital e que também conta com rede em Canoas.

Atendimento fora de horário comercial

Adeptos do seguro saúde animal garantem que a escolha compensa. No Estado, as mensalidades variam entre R$ 39 para gatos no plano básico até R$ 149 para cães na versão mais completa. Dona das pugs Charlotte, de um ano e dois meses, e Sophia, de um ano e sete meses, a estudante Gabrielle Ferreira fez as contas e descobriu que gastaria mais de R$ 2 mil somente nos primeiros seis meses para castrar, vacinar e levar as duas às consultas necessárias. Preferiu pagar as mensalidades de cerca de R$ 80 para cada, que incluíam esses serviços — nos 14 meses em que conta com o plano, gastou cerca de R$ 2,24 mil (R$ 1,12 mil por animal), mas com a vantagem de contar com os atendimentos inclusos no plano durante o período.

— Uso bastante o plano, não só quando dá algum problema, mas também de forma preventiva. Não conheço muita gente que contrata o serviço, mas sempre recomendo — diz Gabrielle.

Cuidando de duas cachorras e uma gata, a empresária Lisiane Giordani viu logo nos primeiros meses de contrato a utilidade de ter um plano de saúde para as pets. A pinscher Gaia ficou doente durante as férias da família. Ainda em dúvida sobre o que poderia fazer com o plano, ela ligou para um dos donos da empresa e recebeu as orientações para que o animalzinho recebesse o tratamento necessário. Lisiane gostou e resolveu contratar um plano também para a poodle Clara — e ainda pretende incluir a gata Brisa no pacote.

Gabrielle e Lisiane destacam que uma emergência médica, especialmente fora do horário comercial, já basta para compensar o valor pago mensalmente pelo plano. Ambas preferem cuidar para que a saúde dos bichinhos esteja sempre em dia, fazendo consultas de diferentes especialidades a fim de prevenir problemas futuros.

Registro é essencial

O registro dos planos de saúde para pets deve ser feito junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado. Para ser registrada, a empresa deve apresentar a relação de todos os serviços ou procedimentos que estão à disposição do usuário, diretamente ou por meio da terceirização, que são cobertos integralmente ou parcialmente pelo plano e sua respectiva carência. O documento também deve conter claramente os valores de matrícula, mensalidade das diferentes categorias e todos os serviços ou procedimentos que estão à disposição do usuário.

O que inclui cada tipo de cobertura*

BÁSICA

- Consultas veterinárias (em horário normal e plantão 24h)

- Exames laboratoriais simples (como hemogramas, urina e fezes)

- Banho e tosa higiênica, em alguns casos

- Vacinas

- Raio x

- Internação

COMPLETA (além do previsto na básica)

- Consultas em domicílio

- Cirurgias

- Tratamento odontológico

- Castração e partos

- Sessões de acupuntura e fisioterapia

- Serviços estéticos

- Cirurgias (ortopédicas, oculares, entre outras)

- Ecocardiograma e outros exames de imagem

* Os serviços oferecidos variam dependendo da empresa e do plano escolhido. Alguns também cobram coparticipação.

Os preços

No Brasil, os planos variam de R$ 27,99 a R$ 342,14 mensais. Já no Estado, ficam entre R$ 39 e R$ 149 por mês. 

Fora dos planos, no mínimo, estima-se em R$ 300 o gasto por ano com a vacinação essencial (polivalente/quádrupla e antirrábica), aplicação de vermífugo e check-up em um animal doméstico. Em Porto Alegre, cada consulta com um veterinário sai por uma média de R$ 120.

Cuidados ao contratar

Antes de contratar um plano de saúde para o animal de estimação, o consumidor deve exigir que seja apresentado um documento firmado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do seu Estado que comprove o registro do plano. Além disso, é preciso ler atentamente o contrato para verificar quais os serviços estão contemplados no plano e quais ele tem direito, como relação nominal de hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, centros de diagnóstico e profissionais.

Fonte: Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)

Perfil dos pets atendidos

- Cerca de 80% são cachorros

- A média de idade é de aproximadamente cinco anos

- Raças pequenas, como yorkshire, lhasa apso, shih-tzu e pug, são maioria

- Os donos geralmente são pessoas entre 25 e 35 anos

 
 
 
 
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