
A produção mais recente de Teresa Poester é marcada pelo que se pode chamar de desenho contaminado. Isso se dá de dois modos. É um desenho que se deixar contaminar por linguagens diversas, e que também contamina outras práticas artísticas visuais. Mais interessante do que identificar uma coisa ou outra é desvelar o processo experimental a que a artista se submete.
Teresa apresenta obras resultantes desses intercâmbios em sua mostra individual na galeria Bolsa de Arte. Em cartaz até 5 de novembro, a exposição terá uma programação neste sábado (1/11), às 11h, com lançamento de catálogo e bate-papo com o crítico e professor Eduardo Veras e o artista e professor Jailton Moreira.
Anagramas reúne trabalhos que seguem o viés abstrato e gestual pelo qual Teresa já é bem conhecida. A linha solta e agressiva está lá, mas agora ganha uma série de sobreposições de traços e cores aplicados em diferentes etapas. A artista continua dedicada ao desenho, mas agora ela o explora com outros meios e procedimentos. Ou seja, contaminando e se contaminando.
Essas séries até então inéditas nasceram quando a artista foi convidada a produzir gravuras no Museu do Trabalho e na Fundação Iberê Camargo. Seu interesse foi o de um experimento: desenhou sobre chapa de metal, imprimiu as gravuras, fotografou as imagens, digitalizou para ampliá-las em grande escala, imprimiu novamente e desenhou sobre as novas impressões. Entre os resultados, Teresa apresenta na Bolsa de Arte um trabalho composto por 36 módulos, de 80cm x 80cm. Outro destaque desses entrecruzamentos é um vídeo com música original de Vagner Cunha.
- Para mim, foi inédito. Eu mesma não sabia no que iria dar. Vinha desenvolvendo há algum tempo essas misturas de linguagem, algo que sempre me interessou. Quando eu estava lá cavando uma chapa (na produção da gravura), já pensava: "não quero ficar só nisso, não sou gravadora nem quero ser, vou fazer algo mais". Aí, passei a misturar gravura, fotografia, manipulação digital, impressão ampliada e desenho - conta Teresa.
Nessa pesquisa, a artista buscou investigar particularmente o que aconteceria ao ampliar em grandes proporções o gesto de um desenho originalmente feito em pequena escala:
- O que me impulsiona é a curiosidade de ver como é que vai ficar, como é que eu vou resolver. Mas tendo o desenho sempre como protagonista - conta artista.
Se é nova aos olhos do público, essa produção já tem um percurso, decorrente do trabalho que Teresa realiza como professora no Instituto de Artes da UFRGS. No Atelier D43, ela e seus alunos se dedicam a pesquisar os diálogos entre a gestualidade do desenho e outras linguagens.
Aos 60 anos e com uma trajetória estabelecida entre Brasil, Espanha e França, Teresa fecha um 2014 cheio. Em abril, a bageense participou da feira SP-Arte pela Bolsa de Arte. No mesmo mês, ganhou sua primeira individual desde 2009. O Museu de Arte Contemporânea de Porto Alegre (MACRS) apresentou, na Casa de Cultura Mario Quintana, uma exposição que fez uma panorâmica dos quase 40 anos de carreira da artista.
Anagramas - Exposição de Teresa Poester
> Bolsa de Arte (Rua Visconde do Rio Branco, 365, Porto Alegre).
> Em cartaz até 5 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 10h30min às 19h; aos sábados, das 10h às 13h30min. Entrada franca.
> Neste sábado (1/11), às 11h, haverá um encontro com o crítico e professor Eduardo Veras e o artista e professor Jailton Moreira, acompanhado pelo lançamento do catálogo da exposição.