Tenho visto uma infinidade de manifestações afirmando que o problema do futebol brasileiro passa pela gestão. Em parte sim, mas com certeza a implantação da gestão não serve como única ação para a solução deste complexo desafio.
A saber, 94,29% dos clubes profissionais não disputam as Séries A e B Nacional e TODOS os clubes que fazem a manutenção de suas atividades de futebol profissional pelos 12 meses do ano estão em situação crítica!
Hoje o piso salarial de um atleta de futebol está em R$ 1 mil. Com os encargos, este atleta custa R$ 2 mil mensais a qualquer clube profissional. Pela atual legislação, os clubes são obrigados a fazer a contratação e o pagamento de seus atletas pelo período mínimo de três meses. Mesmo se for eliminado das competições que disputar. Está na Lei Pelé.
Um clube tem em média 25 atletas. Assim, se o clube contratar todos os atletas pelo Piso Salarial, chegamos ao seguinte orçamento: R$ 2 mil x 3 meses x 25 atletas = R$ 150 mil, somente em salários. Ainda temos de computar: comissão técnica, deslocamentos, hospedagem, material esportivo e alimentação. De maneira rápida chegamos a um custo fixo mensal, além da folha de atletas, de mais de R$ 40 mil para estas outras despesas. Em três meses temos mais R$ 120 mil. O custo para manter em atividade um clube pagando o piso salarial aos jogadores durante os três meses é de R$ 270 mil.
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Quais clubes do Interior conseguem receitas fixas mensais de R$ 90 mil? Se falarmos em futebol todo o ano passaremos facilmente de R$ 1 milhão. A realidade é um acúmulo de dívidas e de contratos não cumpridos.
Os advogados já descobriram a fragilidade jurídica e de gestão na maioria dos clubes e empilham-se, as ações trabalhistas.
A Lei Pelé liquidou com os clubes pequenos. Sim, a legislação atual os obriga a assumir compromissos que não estão nem perto do nível de suas receitas. Alguns vão dizer, mas e o marketing? Marketing? O que os clubes da divisão de acesso e segunda divisão conseguem entregar aos seus consumidores? Suas marcas foram literalmente esmagadas, perdendo apelo e atratividade para os grandes clubes do Estado, do Brasil e do Mundo. Hoje 93% da torcida de nosso Estado é da Dupla Gre-Nal. 77% dos torcedores brasileiros torcem para 16 clubes. Outros dirão, e as categorias de base? Para manter uma estrutura mínima de formação são gastos R$ 30 mil mensais por categoria. Qual clube pequeno tem este valor disponível para investir na formação de atletas?
Ou seja, diante do cenário a única alternativa viável de curto prazo é que clubes de futebol profissional que não possuam receitas mínimas garantidas tornem-se amadores. Reiniciando um processo de estruturação alicerçado pela sua real condição financeira.
Quem tiver capacidade de reconstruir sua marca junto à comunidade terá chances de um dia tornar-se novamente profissional e, assim, arcar com as demandas legais que um clube de futebol profissional possui, pois, como está a CONTA NÃO FECHA!