
A multidão de torcedores argentinos que invadiu Porto Alegre para o jogo contra a Nigéria começou a deixar Porto Alegre na manhã desta quinta-feira. Dos que estavam instalados na Fazendinha, parte do Acampamento Farroupilha onde é possível dormir em barracas, carros e motor-homes, a maioria saiu cedo: por volta das 8h, já tinha gente pegando a estrada. No final da manhã, a estimativa é que cerca de mil pessoas, das 5 mil que dormiram por ali, permaneciam no parque.
O destino agora é dividido: muitos vão até São Paulo ver a seleção enfrentar a Suíça nas oitavas de final na próxima terça, dia 1 de julho, outros vão estender o passeio até praias como Torres, Camboriú, em solo catarinense, e outros voltam para casa. Dos dias que passaram por aqui, em média dois ou três, os hermanos levam mais do que um bom resultado dentro de campo.
Hospitalidade será a principal marca deixada pelos gaúchos. Pelo menos para Roberto Noé, 61 anos, e seu filho Marcos, de 34 anos, que chegaram no domingo e partiram nesta manhã para a terra da garoa, onde têm ingressos para ver Messi no Itaquerão. Tirando o banho morno e o chão embarrado no Parque Harmonia, dizem que gostaram de tudo. Tanto que dormiram cerca de duas horas por noite desde que chegaram em Porto Alegre.
Brenda Herrea, 23 anos, e o namorado Fernando Canale, 25 anos, que também levantavam acampamento hoje, acharam o clima muito parecido com o da Argentina - sobretudo a cultura. Na volta que deram pelo parque, provaram algumas comidas diferentes e não estranharam muito. Chegaram a cogitar permanecer mais uns dias, mas por causa da chuva e do lamaçal que se formou no parque, resolveram adiantar a saída. O mesmo aconteceu com os amigos de Santa Fé Eugenia Perazzi, 28 anos, e Leandro Bortero, 27 anos:
- Pensamos que tinha praia em Porto Alegre. Agora, torcemos para que o sol apareça para que a gente possa aproveitar um pouco as verdadeiras praias brasileiras - dizem.
Grupo de dez argentinos de Córdoba voltam para casa hoje
Foto: RONALDO BERNARDI

Pegando a estrada para voltar para casa, um grupo de dez amigos de Córdoba, entre os quais Hector Gussela, teve em Porto Alegre sua despedida de solo brasileiro. Viajando desde o ultimo dia 12, eles já tinham passado pelo Rio de Janeiro e por Belo Horizonte. Na capital gaúcha, a organização e o policiamento chamaram atenção.
- De tudo o que vimos no Brasil, a gentileza das pessoas em Belo Horizonte e a segurança em Porto Alegre foi o que mais gostamos. Mas não fiquem com ciúmes, porque aqui as pessoas também são gentis - diz Gussela.
No Harmonia, até estábulos serviram de cama para argentinos
Nem de longe os organizadores do Acampamento Farroupilha esperavam receber tantos hermanos acampados. Segundo o coordenador do evento na Secretaria da Cultura, Giovani Tubino, inicialmente imaginava-se que os motor-homes seriam encaminhados para Esteio e Osório, e que acomodação dos turistas seria uma responsabilidade da Secretaria Especial de Copa do Mundo (Secopa). Mas, com a proximidade do parque com a fan fest, os torcedores acabaram se instalando no entorno do parque e o jeito foi armar um plano de emergência para receber todo mundo bem.
- Como se diz no futebol, nós agimos no contra-ataque. Pensavam que seriam desordeiros e que haveria rixa, mas preparamos a estrutura e os recebemos com segurança e organização, e tudo transcorreu bem - disse Tubino.
Na falta de espaço, houve gaúchos que levaram argentinos para suas casas, os que colocaram dentro dos piquetes, e teve até quem tenha cedido espaço nos estábulos, em pelegos junto aos cavalos, para acomodar torcedores estrangeiros.
Segundo estimativa de Gustavo Bierhols, vice-presidente da Fundação Cultural Gaúcha, que foi o responsável por acomodar os visitantes, pelo menos 5 mil hermanos dormiram nas imediações do Parque e, cerca de 15 mil podem ter circulado por ali. O comportamento, segundo ele, foi melhor do que muitos gaúchos que acampam no parque em setembro, e isso ele deve também à presença ostensiva da polícia - eram cerca de 60 a 80 policiais circulando durante os últimos dias e noites.
- A presença deles foi o que encheu o acampamento. Sem dúvida, essa passagem foi o ponto alto da Copa. Se não fossem eles, o acampamento estaria vazio.
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