Copa 2014

Beira-Rio de outra cor

"El Beirarrío" azul: confusões e espetáculo da torcida que não suporta o silêncio

Argentinos tomaram conta do estádio, criaram clima tenso, mas fizeram uma festa inesquecível em Porto Alegre

Diego Vara / Agencia RBS
Voluntários tiveram trabalho para conter os animados argentinos

Pela primeira vez nos quatro jogos da Copa já realizados no Beira-Rio, o azul foi predominante sobre o vermelho das poltronas do estádio do Inter de Porto Alegre. Esse cenário, aos olhos da rivalidade da dupla Gre-Nal, é um sacrilégio e tanto.

Os vizinhos tomaram conta da casa. Eram maioria entre os 43.285 que viram a seleção de Messi bater com dificuldade mínima a respeitável Nigéria por 3 a 2 e se escalar em definitivo para o primeiro lugar no Grupo F.

Confira as estatísticas de Nigéria x Argentina
Leia tudo sobre a Copa 2014
Veja a tabela completa da competição

Apenas minúsculos pontos de verde indicavam a presença de nigerianos, mas logo engolfados pela multidão de argentinos. Bem diferente dos jogos anteriores, em que as manchas multicoloridas da França, Honduras, Holanda, Austrália, Argélia e Coreia se mesclavam com a vermelhidão do Inter e diversificavam o estádio.

Agora, não. Beira-Rio se vestiu de Bombonera. Ou, como chamam "el Beirarrío".

Mais. Dos jogos de Porto Alegre esse foi o mais tenso entre a torcida. Em vários momentos pequenas brigas, desentendimentos e bate-bocas estouraram por causa de lugares ocupados indevidamente ou por desavenças com quem mal conseguia ficar sentado. Eles são assim, não suportam o silêncio, e alguém se levanta e incita um setor que se incendeia e se esparrama pelo estádio.

Orientadores tiveram de se redobrar na louca tarefa de conter os ânimos. Corriam de um lado a outro e imploravam aos torcedores que estavam aos pulos em cima da poltrona. Enquanto eles vinham com os "não pode, não pode", os hermanos respondiam com "Da-le, da-le Argentina". Dois deles fizeram uma guerrinha de cerveja, um jogava no outro e isso seria até normal se um deles não estivesse na arquibancada inferior e o outro, nas suítes, um nível acima.

O jeito sanguíneo de torcer, de cantar e cantar a todo pulmão três ou quatro gritos de guerra, de empunhar bandeiras não importa quem esteja atrás, de subir e pular temerariamente nas poltronas, de se prostrar nas proteções das arquibancadas, bem tudo isso levou os orientadores à loucura.

Definitivamente, as comportadas regras de convivência num estádio de Copa são limitantes a uma torcida tão apaixonada como a dos nossos vizinhos.

Argentinos deixam o Beira-Rio azul:

Baixe o aplicativo Além do Campo, da Liga dos Fanáticos, e siga as seleções da Copa:

Android

IOS

GZH faz parte do The Trust Project
Saiba Mais
RBS BRAND STUDIO

Cobertura do acidente com ônibus da UFSM

13:00 - 16:30