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Provas técnicas

Operação tenta identificar índios suspeitos de matar agricultores em Faxinalzinho

Cerca de 260 agentes da Polícia Federal, Brigada Militar e Ministério Público Federal foram envolvidos na ação

José Bertoldi / Especial
Corpos dos agricultores foram encontrados em 28 de abril, em um matagal na Linha Coxilhão

Uma operação envolvendo diferentes órgãos e cerca de 260 pessoas foi realizada nesta segunda-feira em Faxinalzinho, norte do Estado. Na cidade, marcada pelo conflito entre indígenas e agricultores, dois irmãos foram mortos em abril supostamente ao tentar furar um bloqueio feito por índios.

O mandado de busca e apreensão cumprido por agentes da Polícia Federal no acampamento Candoia, com apoio da Brigada Militar e do Ministério Público Federal, tinha como objetivo colher o material genético de 28 indígenas. Conforme o procurador da República do município de Erechim, Carlos Eduardo Raddatz Cruz, estas pessoas foram identificadas como envolvidas em conflitos e no crime que tirou a vida de Alcemar Batista de Souza, 41 anos, e Anderson, 26 anos.

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O cumprimento do mandado, que teve a ordem judicial expedida em junho, demorou por causa da dificuldade operacional da ação.

- Precisava de bastante efetivo para evitar o confronto, mas houve colaboração da comunidade e dos alvos - comenta Cruz.

Dos 28 procurados, cinco não foram encontrados. Com o material genético em mãos, o laboratório da Polícia Federal em Porto Alegre poderá compará-los com os dados encontrados em materiais, como cocar e lanças, recolhidos no local do crime. O procurador da República, que receberá o inquérito da polícia e decidirá pela denúncia ou não à Justiça, explica que esta é a prova técnica mais importante para a investigação. Um veículo também foi apreendido.

- Neste caso, a investigação não é simples, porque as testemunhas oculares não falaram e a área do crime fica isolada - afirma Cruz.

Os irmãos Souzas foram mortos a tiros e pauladas em 28 de abril. Os corpos dos agricultores foram encontrados em um matagal na Linha Coxilhão, às margens da estrada onde teria acontecido o conflito com um grupo de cerca de 50 índios que reivindicavam a demarcação de terras na região. Em maio, cinco índios foram presos e ficaram presos por 40 dias. Ainda não há previsão de quando o inquérito ficará pronto.

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