A ministra israelense da Justiça, Tzipi Livni, prometeu neste domingo "tolerância zero", um dia depois do incêndio provavelmente criminoso em uma escola bilíngue hebraico-árabe de Jerusalém, símbolo de uma convivência possível entre israelenses e palestinos.
- Frases como 'Morte aos árabes' e 'Pare a assimilação' apareceram perto da escola - afirmou uma porta-voz da polícia, assim como "Kahan tinha razão", uma referência ao rabino Me¯r Kahan, fundador do movimento racista anti-árabe Kach, assassinado em 1990 em Nova York.
- Mostraremos tolerância zero com discriminação e o racismo - afirmou Tzipi Livni durante uma visita à escola.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também condenou o ataque.
- O incêndio desta escola bilíngue vai contra os importantes esforços para devolver a calma a Jerusalém. Atuaremos com firmeza para devolver a calma e aplicar a lei e a ordem em toda Jerusalém - disse aos ministros.
A polícia israelense abriu uma investigação e afirmou que suspeita de um "incêndio criminoso com motivações nacionalistas". A escola incendiada no sábado à noite fica no bairro de Pat, zona oeste de Jerusalém. Dezenas de pessoas se reuniram para denunciar o ataque.
- É um ato de barbárie - disse à AFP Hatem Matar, pai de um aluno da escola.
O colégio atacado tem mais de 500 alunos e foi criado em 1998 pela associação "Hand in Hand" para promover o ensino bilíngue e a coexistência entre judeus e árabes. O norte de Israel também tem outras escolas do tipo. Em Israel, a grande maioria dos alunos israelenses e palestinos ou árabes frequentam escolas distintas.
Há vários anos, os colonos extremistas e os ativistas de extrema-direita israelenses organizam uma campanha de agressões e atos de vandalismo chamada de "O preço a pagar" contra os palestinos, os árabes israelenses, os locais sagrados muçulmanos e cristãos e até mesmo contra o exército israelense.
*AFP