O hospital chegou a ter os leitos de internação clínica interditados devido a problemas estruturais. Em agosto, foi firmado um contrato entre as secretarias municipal e estadual de Saúde, no valor de R$ 2,2 milhões, para viabilizar a reabertura dos leitos. Em outubro, após reforma, o espaço foi liberado, assim como três novos blocos cirúrgicos. Mas a instituição opera com apenas 60% da capacidade.

Na contramão das frequentes notícias sobre superlotação em hospitais, uma ala inteira para internação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está praticamente deserta no Hospital Parque Belém, zona sul da Capital. Sobram vagas também na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). E um bloco cirúrgico, totalmente reformado, com equipamentos modernos, está à espera de pacientes.
Segundo a supervisora-geral do Hospital Parque Belém, Claudia Abreu, sobram vagas porque a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) não encaminha os pacientes. Pelo sistema de gestão plena do SUS, cabe a uma central reguladora gerenciada pelo município o direcionamento de pacientes às unidades, que recebem o custeio conforme a produção.
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O secretário-adjunto da SMS, Diego Leite Nunes, atribui a ociosidade à característica do hospital:
- É para baixa complexidade, isso limita muito o tipo de atendimento que pode ser encaminhado.
O presidente da associação mantenedora do Parque Belém, Luiz Augusto Pereira, não compreende a justificativa, já que a instituição é considerada pela própria SMS referência em neurologia e neurocirurgia, e conta com equipamentos como tomógrafo, por exemplo.
Pela produção desde agosto, segundo a SMS, o Parque Belém teria em torno de R$ 1,3 milhão a receber, sem considerar descontos.
Estrutura disponível
O Hospital Parque Belém conta com 90 leitos para internação de dependes químicos, sendo 60 para o SUS, dos quais 57 estão ocupados.
Três salas de cirurgia e nove leitos de recuperação estão disponíveis, sendo que o hospital é considerado referência em neurologia e neurocirurgia.
Com cerca de 60% de ocupação nos 50 leitos de internação clínica destinados ao SUS, uma ala inteira foi desativada e os funcionários foram redistribuídos em outros setores.
Dos 16 leitos de UTI destinados ao SUS, quatro estão vazios.
O hospital conta com 350 funcionários, a maioria médicos, enfermeiros e auxiliares.
A reportagem solicitou à SMS os dados referentes à fila de espera da Central de Leitos de Porto Alegre, mas a assessoria informou que não seria possível disponibilizar os dados até o fechamento desta edição.