Volta por cima

Estreia nesta quinta "Para Sempre", drama sobre a superação do luto 

Realizado em inglês por Juan Zapata, diretor colombiano radicado na Capital", filme com Daniela Escobar tem locações em diferentes países

14/03/2017 - 17h58min | Atualizada em 15/03/2017 - 09h53min
Estreia nesta quinta "Para Sempre", drama sobre a superação do luto  Zapata Filmes/Divulgação
Foto: Zapata Filmes / Divulgação  

Colombiano radicado em Porto Alegre e agora com um pé também em Los Angeles (EUA), o cineasta Juan Zapata tem como foco na sua trajetória pessoal e profissional cruzar fronteiras. Transita entre o documentário e a ficção em suas produções, criou a distribuidora Latinópolis para estimular a circulação de filmes latino-americanos no continente e, agora, lança um longa-metragem com realização transnacional. Com estreia prevista para quinta-feira na Capital e no Rio de Janeiro, o drama Para Sempre tem como protagonista a brasileira Daniela Escobar, traz no elenco de estrangeiros nomes como o colombiano Marlon Moreno e o alemão Peter Ketnath, é falado em inglês e tem locações, entre outros países, nos Estados Unidos e na Holanda.

Para Sempre é o segundo longa de ficção de Zapata, após Simone (2013), que aborda a questão de identidade de gênero nos conflitos afetivos de uma bissexual. No roteiro que escreveu com Daniela, o diretor ilumina o processo de reconstrução física e emocional de uma mulher após cumprir um doloroso luto, quando superar a morte torna-se vital para retomar a vida.

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Com uma narrativa enxuta (pouco mais de uma hora de duração), Para Sempre apresenta Alice, personagem de Daniela, amargando a recente perda do marido. No apartamento em Los Angeles em que a brasileira vivia com o colombiano John (Moreno), tudo é lembrança, de móveis e objetos à voz na secretária eletrônica. Alice desperta dessa prostração viajando para encontrar uma amiga em Amsterdã, na Holanda. Revisita rotas e cenários que também despertam memórias da felicidade a dois, inseridas na trama em flashbacks.

– O filme nasceu logo depois de eu terminar Simone – diz Zapata, por e-mail, logo depois de apresentar Para Sempre no Festival de Guadalajara, no México, na noite desta segunda-feira. – A ideia era construir essa história dentro de um universo masculino, até tentei filmar com o (ator) Roberto Birindelli, mas, por questões de agendas, o projeto nunca se concretizou. A ideia ficou na minha cabeça durante dois anos. No Festival de Gramado de 2014, por casualidade, Daniela sentou de meu lado em um restaurante e comentei sobre esse filme que gostaria de fazer com um personagem que, em razão de uma profunda dor, decide fugir para um lugar distante. Ela trouxe ideias e experiências que me influenciaram. Naquele dia nasceu um filme e um amor. O filme tomou a perspectiva feminina, o que facilitou o processo de criação. Queríamos falar de luto, de depressão, de superar adversidades e, principalmente, de amor, de valorizar quem está ao nosso lado.

Desde o final dos anos 2000, Zapata investe nos lançamentos de seus filmes em múltiplas plataformas. O documentário A Dança da Vida (2008), por exemplo, foi apresentado simultaneamente em cinemas do Brasil e de outros países latinos, DVD, televisão e internet. Realizar Para Sempre em inglês, explica, atendeu à imposição do roteiro e agora abre portas para a circulação internacional do filme.

– Nosso desejo era fazer um filme 100% internacional, por isso a opção pelo inglês. Também havia o contexto da história, um road movie em que a protagonista transita por muitos lugares onde o inglês é o idioma de comunicação comum. Meu cinema, desde a produção, sempre busca a sustentabilidade econômica. Se algo aprendi com o cinema brasileiro é que ele limita em mais de 50% seu mercado internacional. Como não dependo de (financiamento público via) fundos e editais para alcançar retorno econômico, realizar filmes em inglês ou espanhol amplia as possibilidades comerciais. Mas o que define um filme é, afinal de contas, sua qualidade, não seu idioma.

Para Sempre ganhou prêmios em festivais nos EUA (Accolade Competition e Los Angeles Independent Film Festival) e na Colômbia (Festival de Bogotá). Antes do lançamento no Brasil e na Colômbia foi exibido no circuito do Equador. Em abril, chega ao México. Em maio, estreia na Alemanha.

Sem detalhar o orçamento total de Para Sempre, o diretor diz que seu filme está nos padrões de uma produção de baixo orçamento no Brasil (cerca de R$ 1, 8 milhão).

— Venho batalhando desde que cheguei ao Brasil para recuperar a credibilidade do investimento direto no cinema, num modelo mais americano. O modelo brasileiro é dependente demais dos editais e, nesta dependência, esquece de sua sustentabilidade e da visão de negócio. Felizmente encontrei num amigo a mesma visão executiva que sempre quis testar. O (americano) Douglas Limbach entrou no filme e conseguiu viabilizá-lo com outros investidores, empresários como Dael Linke, que nunca tinham investido em cinema mas entenderam o potencial do projeto. Isso motivou a expansão da minha produtora para os Estados Unidos, e já estamos trabalhando no segundo e terceiro filmes no mesmo modelo. Daniela, Marlon e Peter foram produtores associados. 

Zapata segue à frente da Latinópolis e faz um balanço da atuação da empresa de distribuição fundada em 2008:

— Agora em 2017 passará a ser uma rede ibero-americana, ampliando a oferta de filmes e de espaços de exibição. Estou fazendo reuniões aqui no Festival de Guadalajara. A programação de 2017 está fechada com seis filmes independentes do Brasil, México, Espanha, Colômbia e Estados Unidos. A distribuição do cinema latino-americano deve se reestruturar de zero. Quando começamos, tínhamos quatro, cinco pessoas por sessão. Nas sessões de 2015 e 2016, chagamos à média de 25, 30 espectadores por sessão, com picos mais altos em alguns filmes. Isto é uma alegria, pois a distribuição é um exercício de formação de publico, um esforço de continuidade que não se deve perder. 

Com a filial da Zapata Filmes instalada em Los Angeles, o diretor trabalha em projetos no Brasil e nos EUA. Entre seus próximo trabalhos estão o documentário Substantivo Feminino, codirigido pela jornalista Daniela Sallet, e Tequila, longa de ficção que terá no elenco Marlon Moreno e Roberto Birindelli, com início das filmagens previsto para outubro, em Los Angeles.



 
 
 
 
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