Dança

Companhia francesa de Maguy Marin é destaque do Porto Alegre Em Cena com "BiT"

É preciso "descobrir como ganhar a atenção na contramão das expectativas", diz a coreógrafa em entrevista a Zero Hora

Por: Fábio Prikladnicki
23/09/2016 - 14h01min | Atualizada em 23/09/2016 - 14h01min
Companhia francesa de Maguy Marin é destaque do Porto Alegre Em Cena com "BiT" Philippe Grappe/Divulgação
Coreografia levará seis bailarinos ao Teatro do Sesi no sábado e domingo Foto: Philippe Grappe / Divulgação

Principal destaque internacional do 23º Porto Alegre Em Cena, o espetáculo francês de dança contemporânea BiT, da coreógrafa Maguy Marin, traz no título uma dupla referência: bit dos computadores e beat ("batida") dos ritmos. Nada mais apropriado para um trabalho que tem como trilha original a música eletrônica de Charlie Aubry.

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Nessa peça de 2014, Marin se inspira em danças folclóricas, mas – como observa na entrevista a seguir – o que importa não são tanto as referências, e sim o ato de dançar junto, metáfora da vida em sociedade. BiT será uma oportunidade para o público gaúcho conferir uma vertente do trabalho dessa coreógrafa inquieta, em permanente reinvenção.

Leia entrevista com Maguy Marin, concedida a Zero Hora por e-mail:

Em BiT, há referências a danças folclóricas de diferentes tradições. Que danças são essas e porque a senhora decidiu trazê-las a esse trabalho?
Essa coreografia é uma mistura de várias danças folclóricas. Saber que danças são essas não é tão interessante como perceber que elas reúnem muitos seres humanos em certa inter-relação, pois é nossa obrigação viver juntos nesse planeta.

O título BiT remete a computador (bit) e a ritmo (beat, ou seja, "batida"). Que questões a senhora quis tratar na coreografia?
Ambos, bit e beat, foram importantes durante a criação da peça. Ritmo é uma das coisas que criam o pior ou o melhor. Como encontro a articulação entre meu ritmo e o dos outros? Entre individualismo e autoritarismo?

As artes cênicas contemporâneas parecem não ter fronteiras. Todas as regras já foram quebradas e nada parece chocar ou escandalizar. Como é criar uma coreografia com liberdade total? Isso cria algum tipo de angústia?
Bem, sim, é angustiante criar sem repetir o que já foi feito. Mas podemos nos apoiar no que outros fizeram antes de nós: escritores, diretores de cinema, poetas, músicos, pintores. Nunca vem do nada.

A senhora considera suas coreografias políticas, em um sentido amplo? Como o político se torna movimento?
O modo como os intérpretes se apresentam no palco, começa aí. Como eles se envolvem com o que fazem enquanto pessoas, antes de serem bailarinos. A relação entre eles e as pessoas na plateia. As condições econômicas de seu trabalho. Tudo isso é parte do político, e não sabemos sempre precisamente como é. Muitas vezes, descobrimos quando estamos lá. É uma experiência.

Em um mundo dominado pela velocidade da comunicação, no qual a atenção das pessoas está reduzida a poucos segundos, quais são os desafios da dança contemporânea?
Ir contra a corrente, não importando as consequências. Ir devagar, o que não significa criar apenas peças lentas e longas. Descobrir como ganhar a atenção na contramão das expectativas.

BIT
Sábado
(24/9) e domingo (25/9), às 21h.
Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8.787), fone (51) 3347-8787.
Ingressos: R$ 80. Desconto de 50% para sócio e acompanhante do Clube do Assinante.
Pontos de venda: loja Myticket (Rua Padre Chagas, 327, loja 6): sábado, das 10h às 15h (sem taxa), e site ingressospoaemcena.com.br (com taxa). Se ainda houver ingressos, serão vendidos no teatro, uma hora antes das sessões.

Assista a trecho de BiT:


 
 
 
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