Suingue no sangue

Show "Os Filhos dos Caras" reúne filhos de Simonal, Jair Rodrigues e Tim Maia em Porto Alegre

Simoninha, Jair Oliveira e Léo Maia se apresentam nesta sexta no Teatro do Bourbon Country

Por: Fabiano Moraes e Especial
07/09/2017 - 20h00min | Atualizada em 07/09/2017 - 20h00min
Show "Os Filhos dos Caras" reúne filhos de Simonal, Jair Rodrigues e Tim Maia em Porto Alegre Nó Fotografia/Divulgação
Foto: Nó Fotografia / Divulgação  

As músicas País Tropical, Nem Vem que não Tem, Do Leme ao Pontal e Não Quero Dinheiro você certamente já ouviu muito, seja com os intérpretes originais ou na voz de outros cantores. Esses standards da MPB serão apresentados no palco do Teatro do Bourbon Country na noite desta sexta-feira (8), no show Os Filhos dos Caras, homenagem musical feita por Léo Maia, Wilson Simoninha e Jair Oliveira a seus respectivos pais: Tim Maia, Wilson Simonal e Jair Rodrigues.

Desde o final dos anos 1990, Simoninha, o irmão Max de Castro e Luciana Mello (irmã de Jair Oliveira) já incluíam músicas de Simonal e Jair Rodrigues em seus shows individuais. Em 2015, um projeto reuniu artistas em uma série de apresentações nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília para homenagear personalidades da música, em um formato em que os filhos tocavam canções dos pais. Surgia o embrião que originou a turnê Os Filhos dos Caras.

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Com o projeto definido, o desafio passou a ser a escolha do repertório para condensá-lo em 90 minutos de apresentação. Uma espécie de "improvisação roteirizada" foi a solução encontrada pelos filhos para acomodar os próprios hits e também os das carreiras dos pais.

– É um tempo muito curto para tocarmos tudo. O repertório nunca está totalmente fechado. A gente vai experimentando durante o show. Gostamos de improvisar, mas isso não quer dizer que não temos roteiro. Temos muitas músicas prontas e também vamos fazendo o que a plateia pede – diz Jair Oliveira, 42 anos, por telefone.

Acompanhados por um quinteto formado por Marcelo Maita (teclado), Robinho Tavares (baixo), Daniel de Paula (bateria), Marcio Forte (percussão) e Dilson Laguna (guitarra), Léo, Simoninha e Jair se revezam no palco. Os três tocam juntos, depois separados.

Na abertura de cada ato – marcado pela entrada de um dos filhos –, são utilizadas projeções de vídeo em um telão.

O inevitável clima de nostalgia que orbita durante o espetáculo também aparece no relato de Jair Oliveira ao lembrar da relação com o pai, que morreu em maio de 2014:

– Crescemos nesse ambiente musical. Lembro que eu jogava taco na rua, gostava muito, mas deixava de brincar para acompanhar os ensaios e gravações do meu pai. Lembro que, quando tinha uns seis anos, estava acompanhando uma gravação no estúdio. Ele estava lá, gravando, esqueceu a letra da música e disse: "Vou ter que ir lá em casa pegar a letra." Respondi: "Pai, eu lembro da letra". Ele falou: "Então vai lá e canta". E assim foi (risos). A referência do meu pai é eterna.

Três perguntas para Jair Oliveira

Vocês pensam em registrar a turnê?
Não ficamos combinando muito as coisas. Pensamos num DVD ano que vem. Quem sabe?

Você, Léo e Simoninha se preocupam em manter vivo o legado musical de seus pais?
Sim. Temos essa preocupação. A música brasileira se renova constantemente, mas deixa coisas incríveis e que precisam ser revisitadas de tempos em tempos. A gente entende esse compromisso e pensa muito nisso.

Como vê a música popular hoje?
A música se transforma. Não vejo o momento atual como algo ruim. As pessoas dizem que a música brasileira morreu. Isso não é verdade. O Brasil é muito grande, muita coisa diversa é feita. Mas tudo vai ficando meio simplificado e isso é fruto de uma educação falha que temos. Isso é limitante e acaba tirando o brilho de tudo, não só da produção cultural. Fica tudo mais falho. A Medicina, o Jornalismo... Todas as áreas ficam niveladas por baixo. Não costumo maldizer as expressões artísticas. É uma arrogância você dizer "isso é bom; isso é não é¿. O que era música popular na época dos meus pais, não é nada popular agora. A questão é muito mais profunda do que criticar um estilo musical.

Os Filhos dos Caras
Show com Léo Maia, Jair Rodrigues e Wilson Simoninha
Sexta, às 21h.
Teatro do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, 80, 2º andar, Shopping Bourbon Country)
Ingressos: R$ 80 (mezanino), R$ 140 (camarotes), R$ 140 (plateia alta) e R$ 160 (plateia baixa). Desconto de 10% para sócio do Clube do Assinante. Venda sem taxa: bilheteria do teatro, a partir das 10h. Venda com taxa: site ingressorapido.com.br e call center: 4003-1212. Veja mais informações na página 6.

 
 
 
 
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