
Em seus três livros, Gillian Flynn repete a mesma provocação: até onde se pode confiar na memória? No caso do leitor: que ponto de vista pode servir de guia quando os personagens têm tanto a ocultar e a descobrir?
Com Charlize Theron, filme Lugares Escuros narra tragédia familiar
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Em Lugares Escuros (2009), recém-lançado no Brasil na carona do filme homônimo, a autora aposta nos elementos-chave que permeiam sua obra e que a alçaram a best-seller com Garota Exemplar (2012): diferentes pontos de vista que embaralham a verdade, alternância entre presente e passado e uma tragédia como ponto de partida. E um quarto fator recorrente: um personagem do qual é difícil gostar - e impossível deixar de lado.
Libby Day é autocentrada, infantil e amarga. Sua vida não avançou desde o dia em que a mãe e as irmãs foram brutalmente assassinadas, e ela, por sorte (ou azar), sobreviveu. Quando se vê obrigada a investigar o crime quase 30 anos depois, vai ganhando novas nuances ao questionar as próprias lembranças: ainda poderia jurar que o irmão mais velho é o assassino, como ela testemunhou?
Em capítulos que alternam as descobertas de Libby e o que se passou de fato no dia do crime pelos olhos da mãe e do irmão, a autora costura uma trama envolvente em que o leitor vai tateando até chegar à verdade - sem expectativas de um final feliz.
Há mais de Gillian Flynn: seu livro de estreia ganhou duas edições no país sob os títulos Objetos Cortantes e Na Própria Carne.
Lugares Escuros
De Gillian Flynn
Romance, Intrínseca, 352 páginas, R$ 39,90. Tradução de Alexandre Martins.
Cotação: 3 de 5
Zero Hora