A vida do jogo

Conheça mais do mundo dos board games

Saiba a diferença entre ameritrash e eurogame e como os jogos brasileiros estão sendo financiados

28/08/2015 - 15h42min
Conheça mais do mundo dos board games Marcelo Oliveira/Agencia RBS
Grupo de amigos reunidos para jogar board game na Lends Club, em Porto Alegre Foto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS  

O universo dos board games é vasto, mas está em expansão. No Brasil, um dos nomes de referência é a Galápagos, mas, antes dela, editoras como a Devir e empresas especializadas em brinquedos, como a Grow, já atuavam no segmento – embora de maneira mais tímida e focada em um nicho.

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Hoje, parece não haver mais fronteiras para os jogos de tabuleiro, como explica Julio Matos, um dos sócios da Lends Club, espaço para comprar, locar e jogar os board games em Porto Alegre:

– Não é só jogar, é compartilhar conhecimento e vivência, fazer contatos. A comunidade de board games é muito conectada e tende a crescer cada vez mais.

Daí a importância de criar jogos que não apenas agradem aos iniciados, mas que sejam interessantes para quem nunca rolou os dados de um bom ameritrash.

– Não creio que chegaremos a ser um produto de massa, como um Banco Imobiliário ou Jogo da Vida – aponta Yuri Fang, um dos proprietários da Galápagos. – Mas nos preocupamos em lançar board games que também possam ser jogados pelo máximo de pessoas possível. Queremos que as pessoas entendam que jogos de tabuleiro são formas de entretenimento tão fantásticas quanto cinema.

SOCIAL FUTEBOL CLUBE
Uma das características marcantes dos board games é seu espírito agregador. Mesmo que existam jogos para uma pessoa, é unânime que o grande barato é juntar uma turma para brincar.

– Nosso grupo está sempre se reunindo e jogando, às vezes na Lends, às vezes na casa de um do outro – conta a professora Caroline Ribeiro, 27, que estava no clube de board games na quarta-feira passada jogando com três amigos e o namorado.

Proprietário da loja Beco Diagonal, Felipe Ohlweiler aponta que o fator gregário ajuda até mesmo na hora de repartir os custos, que costumam ser altos:

– Diferentemente de jogos de videogame, em que cada jogador precisa ter o seu, nos board games dá para reunir os amigos e comprar juntos um mesmo jogo, que todos irão usufruir depois.

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GRE-NAL DE TABULEIROA
É possível dividir os jogos de tabuleiro em várias categorias, mas há duas bem populares e abrangentes: ameritrash e eurogame.

Ameritrash é um termo quase pejorativo para designar jogos com temas definidos e imersivos e regras bem detalhadas. Nele, a interação entre os jogadores é incentivada, há investimento pesado na estética (miniaturas de luxo esculpidas em resina ou de metal, por exemplo) e têm na sorte um elemento bem decisivo (o uso de dados é constante). Exemplos: Battlestar Galactica, World of Warcraft e Zombicide.

Já no eurogame, os combates entre os participantes são raros, as peças geralmente são simples e de madeira, apostando-se mais na mecânica do que em um tema específico. Costumam ter partidas mais curtas e quase não usam dados, dando preferência às habilidades. Exemplos: Caylus, Puerto Rico e Carcassonne.

Há ainda os chamados party games, jogos mais sociais que, como o próprio nome diz, são feitos para curtir em ambientes mais descontraídos. Exemplos: We Will Rock You.

FINANCIAMENTO COLETIVO
Plataformas de financiamento coletivo têm sido uma das saídas mais práticas encontradas pelos game designers brasileiros. A maioria dos projetos é tão bem-sucedida que intriga os gerentes dos sites, como Tahiana D’Egmont, CEO do Kickante.

– É interessante notar que, mesmo mais populares, os jogos digitais não encontram tanto respaldo do público quanto os jogos analógicos – analisa. – Credito isso à comunidade de jogadores de board games, que é muito unida e organizada. Para se ter uma ideia, eles até evitam lançar campanhas ao mesmo tempo para não atrapalhar na arrecadação.

Um dos maiores exemplos desse fenômeno é o game Masmorra de Dados. Levado para financiamento no ano passado, pediu R$ 20 mil e arrecadou R$ 242 mil. Este ano, um dos criadores do Masmorra..., Daniel Alves, colocou Caçadores da Galáxia no Kickante. Em menos de 30 minutos, conseguiu os R$ 25 mil de que precisava – somando quase R$ 220 mil no final da campanha.

– A tendência é de crescimento, sem dúvida – pontua Tahiana. – Conforme os projetos vão sendo bem-sucedidos e entregues como prometido, as pessoas se sentem inclinadas a continuar contribuindo.

ONDE COMPRAR E JOGAR
Alguns endereços certos para encontrar board games em Porto Alegre:

- Beco Diagonal (Nilo Peçanha, 3.102, no Viva Open Mall), segundas a sábados, das 9h às 21h, e domingos e feriados, das 11h às 17h.

- Jambô (Sarmento Leite, 627), de segunda a sábado, das 10h às 19h.

- Lends Club (Lopo Gonçalves, 444), de terça a domingo, das 15h às 23h.

- Livraria Cultura (Túlio de Rose, 80, no Shopping Bourbon Country), segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h.

 
 
 
 
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