Teatro

Porto Alegre Em Cena: "Nós", do Grupo Galpão, aborda grandes temas da atualidade

Convivência com as diferenças, tolerância e relação do indivíduo com o coletivo são tratadas de forma indireta ao longo das cenas

Por: Fábio Prikladnicki
15/09/2016 - 04h00min | Atualizada em 15/09/2016 - 22h32min


Foto: Guto Muniz / Divulgação

Prestes a completar 35 anos de atividade em 2017, o Grupo Galpão se tornou uma verdadeira instituição do teatro brasileiro. Mas uma instituição sempre renovada e, muitas vezes, surpreendente. De Belo Horizonte para o mundo, esse coletivo propõe o desafio de se reinventar a cada espetáculo e, ao mesmo tempo, preservar as características de seus trabalhos.

Para ajudar nessa oxigenação, o grupo costuma convidar diretores de fora, como fez agora com Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. Juntos, Abreu e os atores do Galpão criaram Nós, espetáculo com sessões hoje e amanhã no Theatro São Pedro, dentro da programação do 23º Porto Alegre Em Cena.

O novo trabalho leva à cena uma reunião entre personagens cuja ligação entre si não fica muito clara. Eles preparam uma sopa que será sua última refeição — e que é servida, de verdade, a alguns espectadores. Durante o preparo, envolvem-se em debates que aludem a grandes questões da atualidade, como a convivência com as diferenças, a tolerância (e seu oposto) e a relação do indivíduo com o coletivo, entre outros temas.

Sim, é uma peça política, mas no sentido amplo do termo, como defende Eduardo Moreira, um dos atores e autor do texto (ao lado de Abreu):

— Não é uma peça política no sentido de falar do PT e do PSDB. É no sentido de lidar com o bem comum. Não propomos qualquer conclusão, quem tira conclusões é o público. Não há uma mensagem moral.

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Nós aproxima o Grupo Galpão de um teatro mais performático, viés que Abreu vem trilhando também com sua Companhia Brasileira de Teatro. Assim, os personagens são ecos de discursos presentes na sociedade, e suas ações estão abertas a interpretações. Uma cena que tem sido comentada é aquela em que a personagem da atriz Teuda Bara é expulsa de cena pelos outros personagens — o que levou alguns espectadores a identificar uma metáfora do impeachment de Dilma Rousseff. Moreira não descarta que essa seja uma das leituras possíveis, mas lembra que a cena começou a ser criada ainda em 2014:

— É inevitável que as pessoas enxerguem essa situação traumática da deposição de uma presidente, mas não existe uma referência a isso no espetáculo. Uma pessoa que assistiu à cena ficou comovida porque a relacionou à ida de sua mãe com Alzheimer para uma casa de repouso.

Mas quem são, afinal, os personagens que figuram no espetáculo? Com a palavra, novamente, Moreira:

— Essas pessoas podem ser uma família, um grupo de amigos, uma corporação. Nesse limite aberto, podem ser nós mesmos, os atores que representam os personagens.

Para celebrar seus 35 anos de história, o Galpão prepara uma mostra de repertório para o ano que vem, quando deve voltar a trabalhar com Marcio Abreu em um novo espetáculo.

SERVIÇO:

Nós, do Grupo Galpão

Hoje e amanhã, às 21h.

Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº), fone (51) 3227-5100, em Porto Alegre.

Ingressos: R$ 80. Desconto de 50% para sócio e acompanhante do Clube do Assinante. Venda antecipada na loja Myticket (Rua Padre Chagas, 327, loja 6), das 9h às 18h (sem taxa), no site ingressospoaemcena.com.br e no telefone (51) 3030-1500, ramal 512, das 9h às 18h (com taxa de 20% sobre o total da compra). Se ainda houver ingressos, serão vendidos no teatro, uma hora antes das sessões (apenas em dinheiro).

 
 
 
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