Opinião

Celso Loureiro Chaves: um erro do Oscar puxa o outro

O colunista escreve quinzenalmente para o Segundo Caderno  

Por: Celso Loureiro Chaves
06/03/2017 - 03h00min | Atualizada em 06/03/2017 - 03h00min
Celso Loureiro Chaves: um erro do Oscar puxa o outro YouTube/Reprodução
Sammy Davis Jr. no Oscar de 1964  Foto: YouTube / Reprodução  

Um erro do Oscar puxa outro erro do Oscar, lá do longínquo 1964. O apresentador era Sammy Davis Jr., cantor que uma vez entrevistei em Porto Alegre quando, já em fim de carreira, veio recolher uns dólares numa derradeira série de shows. O engano daquela vez foi trocar os envelopes dos prêmios de melhor trilha sonora, erro bem menor do que o de dias atrás, mas igualmente constrangedor.

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Para quem revê aquele momento de mais de meio século atrás há uma surpresa ainda maior do que constatar que enganos acontecem – os próprios concorrentes ao prêmio de melhor trilha. Como é possível que, num mesmo ano, estivessem reunidos cinco trilhas que depois se tornaram clássicas, de compositores míticos na construção do conceito de música de cinema – pelo menos no musicão do cinemão norte-americano?

A minha trilha preferida de sempre concorria naquele ano: Cleopatra, de Alex North, um dos introdutores do jazz na música de cinema (Um Bonde Chamado Desejo, 1951) e que depois passou pelo vexame de ter recusada uma de suas trilhas (2001: Uma Odisseia no Espaço, 1968). Cleopatra não ganhou o prêmio em 1964, mas é uma trilha musculosa, seguindo o percurso da história através dos humores dos personagens. Um clássico.

Os outros concorrentes daquele ano também são clássicos à sua maneira. Ernest Gold e It´s a Mad, Mad, Mad, Mad World – filme que a revista MAD norte-americana logo parodiou num livro chamado It´s a World, World, World, World Mad. Dmitri Tiomkin, que ajudou a definir ¿épico¿ em trilhas com 55 Dias em Pequim. Ou Alfred Newman e A Conquista do Oeste, musicão para um dos poucos filmes de ficção no formato bizarro do cinerama, precursor do Imax de hoje.

Enfim, o vencedor de 1964 foi John Addison, com Tom Jones. Trilha bem menos amada do que Cleopatra, embora fosse bem chamativa: por ser um filme de época, era tocada por instrumentos de época. Naqueles tempos de beatlemania, uma trilha assim à antiga tinha muito de transgressor, ainda mais num ano em que os outros concorrentes representavam outra coisa – o ápice da época épica da música de cinema. 

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