Opinião

"BBB 17": público também errou ao deixar Marcos no programa 

Após cenas com Emilly no final de semana, médico gaúcho deveria ter sido eliminado pelos votantes no reality show, mas teve apenas 23% dos votos

10/04/2017 - 10h53min | Atualizada em 11/04/2017 - 13h28min
"BBB 17": público também errou ao deixar Marcos no programa  Paulo Belote/TV Globo/Divulgação
Marcos e Emilly Foto: Paulo Belote / TV Globo/Divulgação  

Chegamos aos últimos dias de BBB 17 com uma grande polêmica no colo: Marcos agrediu Emilly no último final de semana. Não com tapas e socos — teve sim, beliscões e apertões nos braços da moça —, mas com intimidação e com uma prática que conhecemos por gaslighting — violência psicológica na qual o abusador faz com que a vítima duvide de sua memória, percepção e, até, de sua sanidade. Uma campanha virtual invadiu o Twitter e o Facebook pedindo que a TV Globo expulsasse o cirurgião plástico gaúcho, que também estava no paredão disputando a preferência do público com Marinalva para permanecer no jogo.

A emissora teve uma postura bem inadequada ao jogar a decisão de se houve ou não violência e abuso para Emilly, uma jovem de apenas 20 anos. Deveria ter, sim, expulsado o médico. Mesmo assim, chocou ainda mais ver que Marcos só teve 23% dos votos para deixar a dita "casa mais vigiada do Brasil".

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Com tanto barulho nas redes sociais, achei que ele seria eliminado com a maioria esmagadora dos votos. O que se viu, no entanto, foi bem ao contário. Marinalva — que, aliás, foi responsável pela discussão entre Marcos e Emilly não ter chegado em um ponto de agressão física quando interrompeu a briga —, recebeu 77% dos votos. A pergunta que fica é: como assim, "povo brasileiro"?

Uma explicação está naquele discurso que Tiago Leifert fez no paredão de eliminação de Ilmar, na semana anterior. O apresentador falou em torcidas fanáticas e votações que não refletem a realidade. E ele está certíssimo. Reality shows fazem sucesso porque mexem com a inteligência emocional do público. Bem por isso, sempre que começa uma nova edição de Big Brohter Brasil, muita gente — inclusive eu — diz que é melhor nem começar a ver, porque depois que criar afeição a algum participante será difícil desligar. É aí que se criam essas torcidas fanáticas mencionadas pelo Leifert.

Os fãs de BBB, como bem disse o apresentador, ficam cegos e votam sem pestanejar em seus preferidos. No caso, a preferida é Emilly, e seus fãs fazem qualquer coisa para que ela caminhe para a vitória sem atropelos. Nesse caso, no entanto, erraram feio. Marinalva era apenas uma adversária de Emilly no jogo. Ela não representava nenhuma ameaça à saúde física e mental da jovem. Depois das cenas protagonizadas por Marcos na última semana — com gritos e dedos em riste não só com Emilly, mas também com Marinalva e Ieda, esta com 70 anos —, o desfecho do paredão deste domingo deveria ter sido outro. Se não foi, é porque tem muita gente conivente com suas atitudes. E não adianta hashtags em redes sociais pedindo pela sua expulsão. Na hora de votar, também tem que fazer valer esse pedido.

Outra explicação, consequência direta do fanatismo, é o sistema de votação do BBB não ser um reflexo fiel da realidade. Muita gente que não gosta do Marcos ou que não concorda com as atitudes dele no jogo, não se dá ao trabalho de pegar o celular, tablet, ou computador, para votar. Quem vota — e vota muito mesmo, virando noites e fazendo esquema de mutirões — são os fãs de cada um dos participantes. Basta dar uma conferida no Twitter para ver como essas pessoas se organizam para votar intensamente (ou seria, insanamente?). A Globo deveria adotar um sistema semelhante ao do SuperStar para votação no BBB. Com isso, cada pessoa ou dispositivo, teria direito a somente um voto. Esse recurso talvez possa mudar a realidade do jogo.

 
 
 
 
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