Coluna

Cíntia Moscovich: Faraco e os patronáveis

A colunista escreve sobre o escritor Sergio Faraco e os candidatos ao cargo de patrono da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre 

Por: Cíntia Moscovich
10/09/2017 - 19h46min | Atualizada em 10/09/2017 - 23h04min

Com a divulgação, na semana passada, da lista dos patronáveis, os preparativos oficiais da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre se iniciam. É época de torcer: delineia-se o evento que, no calendário afetivo do Estado, tem a forma exata do coração dos gaúchos - e me perdoem pela facilidade da metáfora.

Candidatos ao cargo de patrono, André Neves, Caio Riter, Celso Gutfreind, Luís Dill e Valesca de Assis compõem uma lista de peso, gente que têm feito da literatura motivo de seus dias.

Mas, igual ao que acontece há pelo menos 15 anos, com a divulgação da lista dos patronáveis, vem também aquela mesma e insistente pergunta: E o Faraco?

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Estimadíssimo por seus pares, unanimidade amorosa e sincera, nosso Sergio Faraco é daqueles escritores cuja obra tem encantado leitores de todas as extrações. Mestre dos mestres num gênero não exatamente fácil, o conto, com narradores capazes de comover as pedras, Faraco é tradutor de mão cheia, além de pesquisador e organizador de antologias. Afetuoso, homem de caráter reto, sempre cercado por sua família, amigo de seus amigos, Faraco é também essencialmente discreto, fato que sempre fez com que declinasse dos muitos convites para o patronato e para outras honrarias. 

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Como era esperado, neste ano, mais uma vez, Faraco recusou o posto, inclusive a sugestão para que assumisse uma espécie de "patronato de honra", em que, simbolicamente, seria o padrinho de todos os escritores iniciantes. 

Longe de ser um autor "de moda", Faraco virou um autor "de culto". Na terra da Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada por seu compadre Luis Antonio de Assis Brasil, resultaram várias outras oficinas e centenas de autores iniciantes, fato que gera uma legião de excelentes leitores – gente que venera a literatura de Sergio Faraco. Para eles, a base de comparação de mundo sempre é o volume Contos Completos, da L&PM, estupenda reunião de textos do alegretense.

Creio que, aceitando ou não a honraria, nosso querido Faraco continuará sendo patrono de honra de nossos autores iniciantes e de nossos leitores mais exigentes. E um deles, dos amigos André, Caio, Celso, Luís e Valesca, receberá a chave que está comigo e que somente o novo patrono poderá receber.

 
 
 
 
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