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Daqui a exatamente um mês (31 de março), irá ao ar nos Estados Unidos o último episódio da série Bones. Depois de 12 anos, não veremos mais a antropóloga forense Temperance Brennan (Emily Deschanel) e o agente do FBI Seeley Booth (David Boreanaz) solucionarem os mais cabulosos crimes analisando os ossos das vítimas. Nem Jack Hodgings com seus experimentos bizarros. Ou Angela Montenegro e seu tão reconfortante "sweety".
Então, vou aproveitar esse luto pela perda de uma das minhas famílias televisivas para falar desse gênero que, muitas vezes, é subestimado por críticos e esquecido nas premiações: o chamado procedural, em inglês. São aquelas séries que seguem uma fórmula, com um caso diferente em cada episódio.
Se a crítica esnoba, o público adora. Em uma olhada rápida na lista dos 50 programas mais vistos da TV aberta americana em 2016 (isso inclui futebol, beisebol, reality show, talk show...), praticamente metade é procedural. Entre os 10 primeiros, há quatro produções do tipo. A melhor colocada é NCIS, terceiro programa mais visto nos EUA, atrás apenas de Sunday Night Football e The Big Bang Theory.
Claro, é difícil manter a qualidade e a criatividade por mais de uma década – marca que geralmente é ultrapassada por essas séries. Criticam-se essas produções por não aprofundarem a vida dos personagens fora da rotina dos casos. Discordo.
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O segredo de um bom procedural são os personagens, mas de forma diferente. O importante é a ligação que criam entre eles e o público, e isso tem muito a ver com personalidade – o que dá para desenvolver entre um crime e outro. É como eu disse antes, aqueles seres fictícios acabam virando um pouco família da audiência, há um vínculo que parece bobo, mas é real.
Eu não consigo ficar sem ver um bom procedural. Adoro chegar em casa depois do trabalho e assistir a um episódio de uma dessas séries. Pode ser o assunto mais dark, mas o efeito para mim é de relaxamento. Talvez, justamente, por não serem tão complexas e densas como as maravilhas da atual era de ouro da TV.
E não acho demérito nenhum. Todas têm seu espaço ou seu momento na era on demand da televisão.
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Ah, Drew Barrymore...
Uma comédia de zumbi em um abastado e colorido subúrbio de Los Angeles. Não parece uma boa ideia – e, realmente, não foi. Para começar, Santa Clarita Diet não é engraçada. Em segundo, a série nem tem muita história – vai ser só os percalços da personagem da Drew Barrymore para conseguir carne humana? Que chato. Terceiro: é meio nojento. E, finalmente: não consigo parar de pensar que aquele marido da Drew é um dublê do Otaviano Costa.
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Dito isso, reconheço que muita gente está curtindo a série justamente por sua bizarrice. Assista ao primeiro episódio e veja se é a sua praia. Série de zumbi engraçadinha, prefiro iZombie.
VEM POR AÍ
Em entrevista na semana passada, o produtor Ryan Murphy disse que a sétima temporada de American Horror Story, que deve estrear em outubro, será sobre as últimas eleições presidenciais dos EUA. Se ele estava falando sério, não se sabe, mas que o governo de Donald Trump está parecendo uma história de horror americana, ah, isso está...
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VAI E VOLTA
A Netflix já confirmou uma segunda temporada para The OA – mas eu ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que achei da primeira. A série criada e estrelada por Brit Marling começou sonolenta, ficou intrigante e terminou... estranha. Continuo refletindo sobre o assunto.