Opinião

Leonardo Oliveira: o Guaraní que conheci em 1997 mudou pouco

Colunista recorda o confronto dos paraguaios com o Grêmio em 1997

Por: Leonardo Oliveira
20/04/2017 - 17h06min | Atualizada em 20/04/2017 - 17h06min
Leonardo Oliveira: o Guaraní que conheci em 1997 mudou pouco José Doval/Agencia RBS
Foto: José Doval / Agencia RBS  

Conheci o Guaraní há exatos 20 anos. Em 20 de abril de 1997, desembarquei com o fotógrafo José Doval em Assunção para antecipar que time era aquele no caminho do Grêmio nas oitavas de final da Libertadores. Nos empoleiramos eu e o Doval em Ford Falcon americano e rumamos para a região de Dos Bocas, onde fica o Rogelio Livieres, a casa do Guaraní.

levei um choque ao desembarcar no estádio, localizado atrás dos salões sociais que recebem bailes concorridos aos domingos. Em cordas estendidas numa quadra de cimento, a lavadeira do clube pendurava os uniformes usados no domingo. Um varal só para os calções, outro para as camisetas e um terceiro com o material usado em treino.

Aquilo destoava muito da realidade do Grêmio recém campeão do Brasileirão e que dois meses antes havia garantido a permanência de Paulo Nunes com salário de R$ 120 mil. Duas décadas depois, se mantém o contraste entre os dois times que voltam a se cruzar na noite de hoje, no Defensores del Chaco. O Guaraní luta para manter uma folha salarial estimada entre US$ 130 mil e US$ 150 mil mensais. Algo como os cerca de R$ 450 mil que Lucas Barrios recebe todo o dia 30 na Arena.

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O Aborigen, como é chamado pelos paraguaios, busca recuperar seu espaço no futebol local. É um dos quatro grandes do país em tradição - com Olimpia, Cerro e Sportivo Luqueño. A meta do presidente Juan Alberto Acosta é escrever uma nova história. A semifinal da Libertadores 2015 e o Clausura 2016 credenciam o empresário do ramo metalúrgico. Ele aproveitou uma mudança no estatuto para outra reeleição e mais três anos no cargo que assumiu em 2007. Três anos depois, em 2010, conquistou o título paraguaio ausente havia 24 anos.

Quando Acosta sair, em 2020, fechará um ciclo de 19 anos como dirigente do clube, sendo os últimos 13 na presidência. Sua meta é deixar como legado um estádio para 20 mil pessoas, uma estratégia de aumentar sua torcida. A média nos jogos ficam sempre em 5 mil pessoas. Chegam a 8 mil quando a fase é boa, como a atual. Nesta noite, são esperados cerca de 10 mil no Defensores del Chaco. Muito em virtude do Grêmio, dizem os paraguaios. O que só escancara a distância entre os dois clubes. O problema é que ela desaparece no campo. E esse é só mais um dos desafios gremistas nesta noite. 

 
 
 
 
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