Os motivos

Entenda por que as contas da gestão Piffero no Inter foram reprovadas 

Conselho Deliberativo, em sua maioria, entendeu que é necessário um aprofundamento 

18/04/2017 - 21h01min | Atualizada em 21/04/2017 - 12h57min
Entenda por que as contas da gestão Piffero no Inter foram reprovadas  Diego Vara/Agência RBS
A direção eleita para o biênio 2015/2016: Pedro Affatato (E), Vitorio Piffero e Luiz Henrique Nuñez Foto: Diego Vara / Agência RBS  

O Conselho Deliberativo do Inter seguiu o parecer do Conselho Fiscal e, na noite de segunda-feira, reprovou as contas do segundo ano da gestão de Vitorio Piffero. É a primeira vez na história de 108 anos do clube que a maioria dos conselheiros reprovam o balanço. São dois os motivos que levaram o CD a tal decisão: o agravamento de falhas nos controles internos e os atrasos de pagamento direitos de imagem dos jogadores, que poderiam levar o Inter à exclusão de campeonatos, segundo regras do Profut.

– Primeiro são as questões relativas à atividade de controles internos, que é uma situação que se repetiu no exercício anterior. Portanto, é um agravamento. E o segundo foi o aspecto dos atrasos de direitos de imagem. Uma situação que, em tese, exporia o clube. Esse conjunto de atos de gestão, já que o estatuto agora exige não apenas o pronunciamento sobre as demonstrações contábeis, levou a sugestão do Conselho Fiscal – explicou o presidente do CF, Geraldo da Camino, também o procurador-geral do Ministério Público de Contas do RS.

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Não há qualquer tipo de problema, segundo o documento enviado pelo Conselho Fiscal ao Conselho Deliberativo, na questão contábil, envolvendo demonstrações de resultados, balanço patrimonial e fluxo de caixa. Inclusive, o balanço das contas do ano passado será publicado nos próximos dias, o que indica que não existe irregularidade e está apto a ser divulgado.

O problema dos controles internos seria a inexistência de contratos com serviços prestados. Há notas com os valores que entraram e saíram do caixa, mas não há um documento no ato do acerto do serviço. O que não quer dizer que não tenham sido feita licitações, segundo explica Sandro Farias, dirigente responsável pela Controladoria e Transparência na gestão Piffero:

– O próprio Conselho Fiscal não constatou qualquer tipo de fraude ou desvio de qualquer natureza. Foram feitas obras. Os valores de cotação existiam, teve documentação fiscal adequada. Existe, e aí entramos no rigor do CF, que se tenha além da nota, um contrato que estabeleça prazo. E, em função de ser uma obra de médio porte, acabou não se fazendo. Foi uma fragilidade mesmo – disse, para completar: — Existe a documentação no clube de que houve licitação. Foi entregue no Conselho fiscal na época. Se não tivesse existido, o Conselho Fiscal teria de dizer que determinada nota não vale, o que não aconteceu.

Outro ponto que levou o CD a acatar uma sugestão do Conselho Fiscal é o atraso dos direitos de imagem dos jogadores ao fim do ano passado, quando o Inter lutava para não ser rebaixado à série B. Segundo Da Camino, a sugestão de reprovação ganhou força por conta da preferência da direção comandada por Vitorio Piffero em dar preferência a outros credores, que não os jogadores. E reforçou que não há maior rigidez por conta da mudança do estatuto do clube:

— O Conselho Fiscal não foi mais rígido (este ano). Ele repetiu a crítica a uma falha do exercício anterior. E a ela se acresceu a uma falha grave, que foi o atraso de direitos de imagem, deixando o clube em risco perante o Profut. Não é apenas o atraso. É o atraso causado pela preferência dada a outros credores, que não os jogadores. Isso ocorrendo ao fim do brasileiro, correndo o risco de rebaixamento. Ou seja: a gestão atrasou os direitos de imagem no fim do campeonato, onde se corria o risco de rebaixamento. E a atividade principal do clube é o futebol. Priorizou outros credores e fornecedores. Foi feita uma escolha e, por esta escolha, eles respondem — finalizou Da Camino. 

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