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Com Vitorio Piffero hospitalizado, coube a Sandro Farias responder sobre a reprovação das contas da gestão passada no Conselho Deliberativo. Responsável pela Constroladoria e Transparência, o ex-dirigente falou sobre os problemas administrativos e a sindicância que será aberta nos próximos dias.
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Confira trechos da entrevista:
As contas da gestão Piffero foram reprovadas. Por quê?
A deliberação de ontem (segunda) tem duas ordens. A primeira aprova os demonstrativos contábeis. Na palavra do Conselho Fiscal e auditores independentes, elas refletem a situação econômica do Inter de forma adequada. No que se refere à reprovação, são motivos de natureza de controles internos. A natureza das transações e a ocorrência delas não se questionam, mas sim a fragilidade de controles. E o Conselho Fiscal entendeu pela reprovação por conta dos procedimentos. Eu fiz um trabalho ao longo de 15 anos. Na história do Inter, há 145 ressalvas de auditores independentes. Talvez, pela mudança do estatuto, tenha se adotado uma opinião mais rígida. Pelo atraso dos impostos, por exemplo, disseram que o clube foi submetido ao risco de ser excluído do Profut. É uma visão conservadora e rigorosa, mas se fosse aplicada em todos os clubes, não ficaria nenhum clube no Profut. Se todos os Conselhos Fiscais fizerem o que o Inter fez ontem (segunda), cai (do Profut) Palmeiras, Grêmio, Corinthians. Todos, em algum momento ou outro, acabam atrasando prazo ou recolhimento de imposto. Mas é claro dizer que as parcelas do parcelamento do Profut estavam em dia.
Se o clube sabia do risco, por que não foi pago?
Naquela reta final do campeonato, se priorizou a manutenção do elenco e dos funcionários com salários em dia. Eu não tenho a opinião de que, se não deixar de pagar, automaticamente está fora (do Profut). É preciso haver uma notificação, como qualquer empresa. Não é autodeclaratório. Essa notificação tem que vir pela APFut (Autoridade Pública de Governança do Futebol), que é o órgão que fiscaliza.
Se apontou problema nos controles administrativos.
O próprio Conselho Fiscal não constatou qualquer fraude ou desvio de qualquer natureza. Foram feitas obras, os valores de cotação existiam, teve a documentação fiscal adequada. Isso é indiscutível, a obra está lá. Existe, aí entramos no rigor do CF, que tenha além da nota, um contrato que estabeleça prazo da nota. É mais apropriado, e eu concordo com eles que se tenha, além da nota, um contrato. Em função de ser uma obra de médio porte, acabou não se fazendo. Foi um erro, uma fragilidade mesmo de contrato. Seria mais prudente que se tenha o contratos, concordo plenamente.
Como se confirma então que houve licitação?
Porque existe a documentação no clube de que houve licitação. Foi entregue no Conselho Fiscal na época. Se não tivesse existido, teria de dizer que determinada nota não vale ou determinada despesa não ocorreu.
Vai ser aberta uma sindicância para apurar o extravio de documentos e o aluguel no centro de eventos. O que aconteceu?
O que eu sei disso, é que polêmico. Pelo que eu sei, foi alugado para um diretor, em que usou apenas uma parte e ele indenizou custos. Como não existe uma tabela, se estipulou um preço. Então, foi fixado um valor avaliado na hora. Mas o problema seria se eu tivesse alguém para alugar por R$ 15 mil e alugasse por R$ 300. Isso não aconteceu. Mas pode ser feito uma linha de regulamentação, com preços. É comum o Inter emprestar de graças para movimentos políticos e ninguém disse que seria renúncia de receita, por exemplo.
E o sumiço dos documentos?
Eu acho que tem identificar o que aconteceu. A diretoria de Patrimônio encerrou em dezembro e entregou os documentos. O Conselho Fiscal olhou, e, já com a nova diretoria, não existe essa documentação. Mas isso é com a nova direção. São notas de compra, de serviço. Como saímos do clube, não temos mais como avaliar. Talvez, até tenha sido uma coisa mal arquivada, pode acontecer. É muito grande a movimentação financeira do Inter. Uma coisinha ou outra vai acabar acontecendo.
A questão contábil já foi encaminhada para a publicação?
Estamos encaminhando. Ontem, no encerramento da reunião, foi autorizado a publicação. Destaco que tivemos um ano difícil. Em 2015, tivemos receita de venda de jogadores que chegaram a R$ 90 milhões. Este ano (em 2016), não. Atletas como Valdívia, Dourado e até mesmo o Sasha, que se falavam em venda, ficaram. Foi inferior ao que a gente imaginava. Mas recebemos as luvas da Globo e Esporte Interativo, foi uma compensação. A receita social (mensalidades, sócios, cadeiras e todo o quadro social) chega a R$ 61 milhões. Todos esses valores do clube e receita ficaram dentro do orçado.
A gestão Piffero entregou o clube endividado?
Sim, como todos. As dificuldades financeiras são totalmente presentes no clube. Não é de hoje que o clube vive dificuldade financeira. Se olhar em 2006, quando foi Campeão do Mundo ou em 2010, como bi campeão da América, as dívidas já estiveram. Fizemos um esforço para não antecipar a verba de Gauchão de 2017, adotamos essa precaução. Também não recebemos nada de Nike e Banrisul. Mas é verdade que a situação é difícil. E, a curto prazo, vai ser difícil alterar.
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