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Diori Vasconcelos: a toalha escorrega pelos dedos

Jornalista da Rádio Gaúcha enumera uma série de razões que levaram o time ao fundo do poço

Por: Diori Vasconcelos
21/09/2016 - 06h01min | Atualizada em 21/09/2016 - 06h01min
Diori Vasconcelos: a toalha escorrega pelos dedos André Silva / Agência RBS/Agência RBS
Foto: André Silva / Agência RBS / Agência RBS

Não vejo de onde possa emergir poder de reação. Os jogadores estagnaram. Bateram no teto após um campeonato inteiro sem uma ideia coletiva, sem cara de time. O presidente Vitorio Piffero somou trapalhadas e quando tentou agir já era tarde demais. Os erros eram tantos que não havia tempo para que fossem corrigidos. Nem mesmo a Swat, que parecia ser a última esperança, conseguiu resgatar o ânimo. Quem não respeita Fernando Carvalho? O presidente campeão de tudo precisa ser reconhecido por tudo o que já fez, principalmente por ter abraçado a causa para tentar salvar o Inter. Acabou aceitando o que virou um convite para uma cilada. E o técnico Celso Roth? Bom, só acreditou em Celso Roth quem não acompanhou seus trabalhos mais recentes.

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O Inter tem cara, RG e CPF de time rebaixado. E não sou eu quem está dizendo. São os fatos, os números. O Inter acusou o risco da Série B e evidenciou o abatimento quando Fernando Carvalho, após o jogo contra o Vitória, disse:

— Nós não vamos jogar a toalha!

Quem não quer jogar já está vendo a toalha escorregar entre os dedos. E a culpa não é da frase ou de Fernando Carvalho. É da realidade em que ela se insere.

O Inter não vai cair por ter perdido para o América-MG no confronto de segunda, com o perdão da ironia. O problema não se resume às decisões de Celso Roth de deixar Seijas no banco e escalar Anselmo como surpresa contra o lanterna, ou de tirar Valdívia para colocar Ceará aos 40 do segundo tempo. Ser derrotado pelo time de Enderson Moreira é algo "normal".

O Inter afundou quando foi neutralizado pelo time de Argel, diante de 20 mil colorados. Quando viu o seu próprio ex-treinador montar duas linhas de quatro, marcar adiantado, encurtar campo e forçar o erro do time da casa no Beira-Rio. O Inter afundou, aliás, quando manteve esse mesmo Argel. Quando contratou Fernando Bob, Fabinho, Anselmo e Ariel. Pobre do Paulo Cezar Magalhães! O Inter afundou quando fez uma operação de guerra para trazer William e Rodrigo Dourado da seleção olímpica para deixá-los no banco no confronto contra o São Paulo. O Inter afundou quando demitiu Argel e contratou Falcão. Quando deixou de pensar em futebol para pensar em eleição. Foram erros, erros e mais erros. O Inter afundou quando achou que Celso Roth seria a solução. A cada dia que passa fica mais claro. Só um milagre pode salvar o Inter. Quem acredita?

*ZHESPORTES

 
 
 
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