Hora de mudar

Eliminação para o Irã é o 7 a 1 do futsal brasileiro

Queda precoce no Mundial gera movimento para evolução da modalidade

Por: Rafael Diverio
23/09/2016 - 08h05min | Atualizada em 23/09/2016 - 08h06min
Eliminação para o Irã é o 7 a 1 do futsal brasileiro GUILLERMO LEGARIA/AFP
Foto: GUILLERMO LEGARIA / AFP

A trave que defendeu o pênalti de Ari representa a confederação quebrada, o calendário acumulado, as disputas internas e as mudanças de última hora que vivem o futsal brasileiro. A seleção pentacampeã mundial foi eliminada pelo Irã nas oitavas de final da Copa da Colômbia, na noite de quarta-feira, e obrigou o esporte a passar por um momento de reflexão, debates e reformulação. A situação é idêntica à do futebol e seu 7 a 1.

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— É, acabei fazendo esta comparação. A sensação é a mesma daquela contra a Alemanha. Principalmente, porque deixou claro que precisamos repensar o esporte — analisa o comentarista do SporTV Marcelo Rodrigues, ex-atleta e técnico.

Especificamente neste Mundial, o primeiro desafio que exigiu mais do time escancarou que a preparação de apenas 10 dias — e só um amistoso — fez a diferença. Contra equipes que treinaram por até três meses, o Brasil não conseguiu sair da estratégia defensiva do Irã. E, quando atacado, não soube marcar o goleiro-linha.

— Não houve uma pré-temporada adequada. Foi pouco tempo, com a Liga Nacional esticada. Não teve um jogo mais forte, para sabe em quais condições estava a equipe — aponta Marquinhos Xavier, técnico da ACBF e um dos maiores estudiosos da modalidade.

Marcelo Rodrigues considera também que faltou convocar jogadores com maior poder de decisão e improviso. A ausência fez o time depositar tudo apenas em Falcão, 39 anos.

— Mas não podemos fazer caça às bruxas com a delegação que estava aqui na Colômbia. A culpa, na verdade, é muito maior — comenta Rodrigues.

Sobre o "muito maior", a referência é a CBFS. Após mais de três décadas comandada pelo mesmo presidente (Aécio Vasconcelos) e grupo, a confederação da modalidade passa por uma reestruturação. Na gestão atual, admitiu uma dívida de mais de R$ 6 milhões. Para atenuar, precisou vender uma sede, no Ceará, com estrutura semelhante à da Granja Comary.

Mas ainda que se reconheça um começo de recuperação na entidade com a nova direção de Marcos Madeira — desde 2015 no poder —, há problemas latentes no esporte. O calendário é um deles. Para movimentar clubes e federações, os campeonatos se acumulam. Em julho, por exemplo, a ACBF jogou duas partidas no mesmo dia e na mesma hora, uma pela Série Ouro, outra pela Liga Nacional.

— Precisamos ressaltar que a liga não está mais dando a resposta. O fato de não ter ascenso e descenso e o engessamento da fórmula transforma em um campeonato sem graça e fechado, sem permitir o surgimento de novas forças — opina o presidente da Federação Gaúcha de Futsal, Cesar Cabral.

Diferentemente do futebol, a ideia do futsal é agir. Para dezembro, está marcado um fórum internacional em São Paulo com o objetivo de formatar uma unidade de direção para o esporte, contemplando aspectos físico e técnico, mas também de gestão, publicidade, marketing, finanças e mídia. A ordem é sair do encontro com um norte para remobilizar a modalidade, segundo Marcelo Rodrigues, organizador do evento. A ideia é criar um novo ciclo na seleção que dê frutos em oito anos, devolvendo o título mundial ao país em 2024.

— Até lá, qualquer outro resultado terá sido fruto do talento natural que ainda existe, mas não está sendo suficiente — finaliza Marquinhos.

*ZH ESPORTES


 
 
 
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