De Fora da Área

Rafael Cechin: "Nossas direções estão erradas"

Chefe de reportagem da Rádio Gaúcha fala sobre as temporadas ruins de Grêmio e Inter, reflexo de direções com convicções ultrapassadas

12/10/2016 - 06h08min | Atualizada em 12/10/2016 - 06h08min
Rafael Cechin: "Nossas direções estão erradas" Montagem sobre fotos de Félix Zucco e Lauro Alves / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Montagem sobre fotos de Félix Zucco e Lauro Alves / Agência RBS / Agência RBS

Os desempenhos de Grêmio e Inter em 2016, de longe, ficam abaixo do esperado pelos torcedores. Todos queriam títulos e precisam se contentar com campanhas médias ou ruins, mais uma vez. Reflexo do que ocorre fora de campo, onde as direções seguem com convicções ultrapassadas e medidas que atrasam o lado de dentro de campo.

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No futebol vencedor atualmente, a ciência está cada vez mais presente e separa os campeões de quem está abaixo. Análises de desempenho, treinos simulando situações de jogos determinando o fim dos coletivos e privilégio ao toque de bola rápido são alguns dos elementos usados por técnicos e times que ganham campeonatos no Brasil e no mundo.

Exemplos não faltam e nem precisamos ir até a Europa. Bem perto da gente, por causa desses métodos, o Cruzeiro bicampeão brasileiro com Marcelo Oliveira chegava com rapidez até então assustadora ao ataque. Ninguém conseguia segurar. Até mesmo treinadores mais "antigos", como Cuca e Levir Culpi, passaram a utilizar a ciência e transformaram totalmente as formas como seus times atuavam. Sem citar o Tite, o que seria covardia.

Infelizmente para nós, a dupla Gre-Nal não enxergou essa mudança de realidade. Chegou-se a evoluir para mais perto do futebol vencedor com Aguirre e Roger. No entanto, como a convicção dos dirigentes está ultrapassada, erros cometidos por esses técnicos fizeram com que as velhas fórmulas mágicas fossem adotadas.

No caso do Inter, a atual direção iniciou seu mandato com Diego Aguirre, que era a quarta ou quinta opção e só foi contratado porque Abel Braga não quis ficar. Ou seja, não buscavam alterar o perfil do treinador. Queriam "tapar furo". O mesmo serve para o Grêmio, onde "acertaram" com Roger Machado só por causa das negativas de Doriva e Cristóvão Borges.

Aguirre e Roger saíram, como disse, porque erraram ou não poderiam mais permanecer na avaliação de quem comanda. Vieram Argel, Falcão, Roth e Renato, que nada tem a ver com seus antecessores. E pior: são provas de que as convicções de nossas direções continuam distantes do futebol com ciência que é vencedor no mundo todo atualmente.

Nada tenho contra Roth ou Renato. Torço para que os times tenham sucesso no que resta de 2016. Mas duvido que os atuais técnicos possam acrescentar qualquer novidade para que o futebol gaúcho volte a ser campeão. Somos o único dos quatro grandes estados (junto com SP, RJ e MG) a não ter ganho Brasileirão nos pontos corridos. Se quisermos mudar isso, nossas direções precisam ser corrigidas. Imediatamente.

*ZH ESPORTES

 
 
 
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