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Sérgio Boaz: quando o técnico vira ídolo

Repórter da Rádio Gaúcha relata o ambiente da Seleção durante a preparação para o jogo contra a Bolívia

14/10/2016 - 06h05min | Atualizada em 14/10/2016 - 06h05min
Sérgio Boaz: quando o técnico vira ídolo Pedro Martins/MoWA Press
Foto: Pedro Martins / MoWA Press

A Seleção Brasileira está retomando o respeito perdido nos últimos anos. Perdemos tempo demais. Estávamos nos atrasando e correndo um sério risco de ficarmos fora do Mundial de 2018.

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O Brasil tinha um dos melhores técnicos do mundo, mas insistia em não lhe dar a devida oportunidade. Adenor Bachi, o Tite, nasceu para isso. Ele se atualizou, teve humildade e buscou aprimorar seu conhecimento com os melhores. A torcida já deu o retorno.

Nos meus muitos anos de cobertura de Seleção, nunca tinha visto um técnico virar ídolo em tão pouco tempo, dividindo com as estrelas as atenções dos fãs. Os treinos são ótimos, todos os convocados têm a devida atenção. Foi importante recuperarmos jogadores que estavam escanteados como: Paulinho, Thiago Silva e Marcelo.

Notei um Neymar bem menos pressionado — aí está mais um papel da comissão técnica: diminuir, porém, sem tirar a responsabilidade dos jogadores.

O garoto Gabriel Jesus de apenas 19 anos, já exibe comportamento de um veterano. Nos tempos de Zagallo, o velho lobo fazia questão de conversar com jornalistas, ser atencioso, educado. Faz parte do pacote de um comandante de um cargo tão importante.

Tite atende todos com um sorriso estampado no rosto. Claro que, na hora do trabalho, o respeito deve existir de todos os lados, é um momento de concentração dos atletas. Não sei se seremos campeões na Rússia, até porque não enfrentamos grandes potências ainda. Tem teste forte em novembro no Mineirão, diante da faminta Argentina — em crise pelos últimos resultados. O ambiente está ótimo, está dando prazer de fazer a cobertura de Seleção Brasileira.

A convocação para um atleta vestir a gloriosa camisa canarinho deve ser uma honra, algo que tínhamos perdido. Lembro muito bem que, em décadas passadas, esperávamos com grande curiosidade a divulgação da lista. Voltaram o prazer, o orgulho, a competitividade. Sucesso, Tite.

 
 
 
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