Início de ciclo

Após quatro anos, Banco Central pode cortar taxa de juros

Desaceleração da inflação e queda do preço dos combustíveis criam condições favoráveis para uma baixa da taxa Selic

16/10/2016 - 21h58min | Atualizada em 16/10/2016 - 21h58min
Após quatro anos, Banco Central pode cortar taxa de juros Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS

Quatro anos após o último corte na taxa Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) volta a se reunir nesta semana e, de acordo com as apostas do mercado, deve dar início a um novo ciclo de diminuição do juro básico da economia, hoje em 14,25% ao ano.

A grande dúvida é se a decisão a ser anunciada na quarta-feira será mais cautelosa, com redução de 0,25 ponto percentual, ou mais agressiva, de 0,50.

A expectativa de que o Brasil vá voltar a ter uma política monetária mais solta é baseada nos últimos números que mostram inflação menos feroz, e foi reforçada com a decisão da Petrobras de reduzir o preço da gasolina (3,2%) e do diesel (2,7%) na refinarias, seguindo, a partir de agora, os preços internacionais dos combustíveis. Com a ajuda dos alimentos, o IPCA, índice de inflação oficial do país, desacelerou para 0,08% em setembro, abaixo do esperado pelo mercado e a menor taxa para o mês desde 1998.

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Analistas financeiros ouvidos pelo BC têm, a cada semana, reduzido as projeções para a alta dos preços. O relatório Focus da última segunda-feira — hoje serão divulgados novos números — mostra projeção de que a inflação feche o ano em 7,04% e, em 2017, caia para 5,06%, voltando a ficar abaixo do teto da meta — que é de 6,5%, mas passa a ser de 6% no próximo ano.

Na Índia para um encontro dos Brics, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, reforçou a tendência de queda do juro.

— Vai acontecer, dadas as condições atuais de retração da inflação e alguns casos como o da Petrobras — avaliou.

Outro fator que tem levado o mercado a aumentar o grau de certeza no corte de juro vem do front político, observa o professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

(UFRGS), Marcelo Portugal.

A aprovação em primeiro turno na Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento dos gastos públicos nos próximos 20 anos à inflação mostrou, ao mesmo tempo, que o Executivo conta com apoio sólido para votações no Congresso e tem compromisso com a reorganização das contas do país.

— Deu um sinal político importante de determinação do governo em fazer reformas. E, como a política fiscal está mais apertada, é possível soltar um pouco mais a política monetária — diz Portugal, que aposta em redução de 0,25 ponto percentual na quarta-feira.

Para o professor de finanças Gilberto Braga, do Ibmec-Rio, a redução do preço dos combustíveis e o alívio da pressão dos alimentos sobre a inflação criam clima mais favorável para o início de um ciclo de corte na Selic. O especialista avalia que a decisão do Copom será por redução de 0,25 ponto percentual.

— O governo não quer dar todas as boas notícias de uma só vez. Assim (ao reduzir a Selic agora em 0,25 ponto), teria mais um corte para anunciar na próxima reunião do Copom — avalia.

Mais otimista, o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas acredita em corte de 0,50 ponto percentual nesta quarta e em outro de igual tamanho no mês seguinte.

— Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, mas até cautela, em excesso, pode fazer mal — pondera Freitas.

Por que é bom reduzir o juro?

- A redução do juro traz benefícios para a atividade econômica porque diminui o estímulo a aplicações financeiras e mais dinheiro pode ser canalizado para investimento produtivo. Ou seja, pode ajudar a tirar o Brasil da recessão.

- Ao longo dos próximos meses, a redução do juro deve se refletir em crédito mais barato. Além disso, diminui um pouco a pressão sobre quem está endividado, o que pode melhorar a confiança dos consumidores e ajudar a reativar a economia porque as pessoas se sentiriam mais estimuladas a gastar.

- Para o governo federal, outra consequência é a redução das despesas com o pagamento de juros da dívida pública. Isso contribui com a tentativa da União de reequilibrar as contas públicas.


 
 
 
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