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Ao menos 58 civis, incluindo nove crianças, morreram nesta terça-feira em um bombardeio aéreo que liberou gás tóxico na cidade rebelde de Khan Shekhun, no noroeste da Síria, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
– Várias pessoas morreram depois que foram levadas para os hospitais. Todas são civis – afirmou Rami Abdel Rahman, diretor da ONG.
O OSDH, que não sabe que tipo de gás foi liberado, informou que 35 civis morreram por asfixia e dezenas sofriam com problemas respiratórios e outros sintomas. O ataque aconteceu no dia que marca o início de uma conferência em Bruxelas sobre o futuro da Síria, com mediação da União Europeia e da Organização das Nações Unidas (ONU).
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Segundo a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, o regime sírio é responsável pelo ataque químico.
– A notícia de hoje é terrível. Obviamente, a principal responsabilidade recai sobre o regime, porque tem a responsabilidade de proteger sua gente e não de atacá-la – disse.
Médicas no local relataram que foram registrados desmaios, vômitos e as vítimas espumavam pela boca. Fotos de ativistas mostram voluntários dos Capacetes Brancos, grupo de socorristas na zona rebelde, no momento em que tentavam ajudar os feridos. Eles jogam água no rosto das pessoas e pelo menos dois homens aparecem com espuma branca ao redor da boca.
Algumas horas depois, o hospital que atendia os feridos do ataque tóxico foi bombardeado, o que provocou muitos danos ao centro médico. O ataque teve como alvo uma área do hospital, e os médicos tentavam fugir em meio aos escombros. Até o momento, não foi possível obter informações sobre vítimas no centro médico.
A oposição síria pediu ao Conselho de Segurança da ONU a abertura de uma investigação sobre o ataque com gás tóxico no noroeste do país. A Coalizão Nacional, principal grupo da oposição síria, pede em um comunicado ao Conselho de Segurança que "convoque uma reunião urgente após este crime e abra uma investigação imediata". A nota acusa o "regime do criminoso Bashar al-Assad" de ter executado os bombardeios contra Khan Sheikhun com "obuses que continham gás químico".
A província de Idlib é controlada em sua maior parte por uma aliança de rebeldes e jihadistas. A região é bombardeada com frequência por aviões do exército sírio e da Rússia, assim como da coalizão liderada pelos Estados Unidos para neutralizar os jihadistas. O governo sírio negou em muitas oportunidades o uso de armas químicas em uma guerra que já provocou mais de 320 mil mortes desde março de 2011.
Mas as alegações de que Damasco utiliza este tipo de armamento são recorrentes e uma investigação liderada pela ONU atribuiu ao regime pelo menos três ataques com gás cloro em 2014 e 2015. A Síria ratificou a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas em 2013.