Ilhados

Animais são abandonados em casas alagadas em Itaqui, na Fronteira Oeste

Em incursão de barco aos bairros submersos da cidade, cachorros, gatos e galinhas são vistos sobre os telhados que ainda não submergiram

Atualizada em 04/07/2014 | 23h0204/07/2014 | 15h52
Animais são abandonados em casas alagadas em Itaqui, na Fronteira Oeste Tadeu Vilani/Agencia RBS
Dos 17 bairros de Itaqui, pelo menos cinco estão submersos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

No porto de Itaqui, a Rua Independência termina onde começa o Rio Uruguai. Desde que a água escondeu parte da cidade, não se vê mais o que é rua e o que é rio. O prédio da Receita Federal está tapado até a metade, e dos postes de luz só se enxerga um metro para cima. Dos 17 bairros no município, pelo menos cinco estão submersos, conforme a Defesa Civil de Itaqui.

Navegar sobre o que eram ruas revela a intensidade da enchente. Nesta sexta-feira não chove no município da Fronteira Oeste, mas o Rio Uruguai está 13,2 metros acima do nível normal. A água que desce do oeste catarinense e norte gaúcho não para de subir: dois centímetros por hora — correnteza que atinge, também, Uruguaiana.

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Há casas em ruas do bairro Várzea, o mais afetado, que não se enxerga nem o telhado. Outras resistem apenas com o topo para fora. Assim como as árvores, que deixam apenas a copa à vista. Na Rua Saldanha da Gama, Santos Pedroso e Rafael Pinto Bandeira, animais se equilibram sobre telhados, sem ter onde ir. São cachorros, gatos, galinhas e gansos que foram deixados pelos seus donos, corridos pela altura da água.

Foto: Tadeu Vilani/Agência RBS

Parte da energia elétrica ainda não foi desligada em bairros submersos, o que torna perigoso o resgate dos bichos. Ilhados, animais têm destino incerto em uma cidade na qual um quarto da população foi expulsa de casa pela cheia. A água atinge a beirada do centro de Itaqui, mas ainda não transpôs a praça principal como ocorrido na histórica enchente de 1983.

No final desta manhã, o autônomo Airton Rehben, junto da esposa Marli Rehben, ambos de 51 anos, navegavam em um barco de remo na rua onde moravam até semana passada. A casa da família foi atingida e, além dos prejuízos, eles têm de lidar com outro desafio:

— Viemos olhar o que deixamos, como o ar-condicionado. Dizem que estão roubando muito — conta Marli.

É o que tem ocorrido na cidade: moradores patrulham o que deixaram para trás com medo de furtos. Pouco adiante, João Francisco da Silva, 34 anos, e o sobrinho Vinícius Nunes, 17 anos, pegaram um barco para resgatar uma antena parabólica da casa de um familiar.

— Diz que estão roubando até telhado — denuncia João Francisco.

Em propriedades rurais tomadas pela água, fazendeiros tiveram de transportar o gado para outras localidades. Nem mesmo o serviço de telefonia auxilia na comunicação para o resgate daquilo que foi perdido. Segundo a Defesa Civil do município, a antena da companhia Vivo — a principal que cobre a região — está parcialmente submersa.

— Quando toda essa água baixar, as estruturas estarão comprometidas. Daí, é um outro trabalho — lamenta o secretário da Cultura da cidade que também atua na Defesa Civil, Miguel Araújo.

Mas, conforme a previsão do tempo, vem mais chuva pela frente. 

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Em Itaqui, casas tiveram de ser removidas de dentro do rio:

Veja imagens da enchente histórica que assolou o RS no ano de 1983

 
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