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Ataques na tribuna

Bancada do PT ingressará com denúncia-crime contra Bolsonaro por ofensas a Maria do Rosário

Em seu discurso na Câmara, deputado progressista disse que não estupraria a ex-ministra porque ela "não merece"

09/12/2014 - 18h26min | Atualizada em 12/12/2014 - 20h02min
Bancada do PT ingressará com denúncia-crime contra Bolsonaro por ofensas a Maria do Rosário Gustavo Lima/Câmara dos Deputados,Divulgação
Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados,Divulgação

A bancada do PT na Câmara dos Deputados decidiu ingressar com uma denúncia-crime contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) devido às ofensas que ele dirigiu à deputada Maria do Rosário (PT-RS) em uma sessão na tarde desta terça-feira. A decisão foi tomada em uma reunião após o término da sessão.

A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da deputada petista e ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos. Nesta terça-feira, Maria do Rosário usou seu tempo na tribuna, que nesta sessão era livre, para criticar a ditadura militar no país. Na sequência, foi a vez de  Jair Bolsonaro (PP-RJ) tomar a palavra.

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Com tom de voz exaltado, o deputado progressista pediu que a petista ficasse no local para ouvir seu discurso, e repetiu que “não a estuprava” porque ela “não merece”.

— Há poucos dias você me chamou de estuprador e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir, Maria do Rosário — gritou da tribuna.

Em seguida, Bolsonaro iniciou um discurso contra os direitos humanos:

— No Brasil, o Dia Internacional dos Direitos Humanos é o Dia Internacional da Vagabundagem. Os direitos humanos no Brasil só defendem bandidos, estupradores, marginais e até corruptos — afirmou o progressista.

Veja vídeo da TV Câmara reproduzido por um canal no Youtube:



Depois, o político ainda aproveitou seu tempo para criticar o PT e a administração da presidente Dilma Rousseff.

Conforme a assessoria de imprensa da deputada, ela deixou o local logo após seu discurso, pois tinha outro compromisso, e não ouviu a fala de Bolsonaro. 

O deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que presidia a sessão no momento dos discursos de Maria do Rosário e Bolsonaro, deve ingressar com uma representação no Conselho de Ética contra o deputado progressista, por quebra de decoro parlamentar. A informação foi confirmada pela assessoria de Maria do Rosário.

Após a sessão, a bancada do PT na casa decidiu também ingressar com uma denúncia-crime contra Bolsonaro. Conforme a assessoria de imprensa de Maria do Rosário, os petistas consideraram que o deputado progressista “incitou um crime contra a mulher, o estupro, em sua fala”, e por isso deve responder criminalmente, na esfera do Supremo Tribunal Federal (STF).​

Maria do Rosário afirma que discurso ofende todas as mulheres

Em entrevista a Zero Hora, Maria do Rosário afirmou que não vê o discurso de Bolsonaro como um ataque pessoal, mas como uma ofensa a todas as mulheres:

— Por trás dessa frase, existe um discurso de que, em algum momento, um homem como ele pode estuprar uma mulher que escolha. Por isso essa frase me agride, porque é um homem dizendo que tem o poder de escolher quem ele quer estuprar. Essa frase não é contra mim, é contra todas as mulheres. Acho isso muito grave, gravíssimo. Mas não quero nenhuma solidariedade, quero indignação da sociedade — afirmou a deputada.


Foto: Daniel Conzi / Agência RBS

Segundo a ex-ministra, caso a Câmara tivesse tomado uma atitude quando Bolsonaro a ofendeu de forma semelhante em 2003, ela não teria de ouvir novamente o mesmo ataque.

— De 2003 pra cá, nunca dirigi a palavra a esse senhor. Não citei ele no meu pronunciamento. Estou estudando que medidas eu posso tomar para que ele não me dirija a palavra e não se aproxime de mim em nenhum lugar dessa Casa. Me sinto agredida por ele. Já fui agredida fisicamente por ele em 2003, ele me empurrou naquela ocasião.

Questionado, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), disse ainda não ter assistido à gravação do pronunciamento de Bolsonaro. Mas, ao saber o teor da declaração, Alves a considerou "um absurdo" e disse que "não são termos" aceitáveis.

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Bancada gaúcha do PT defende que Bolsonaro seja processado

Em nome da bancada gaúcha do PT, o deputado Valdeci Oliveira repudiou as manifestações feitas por Bolsonaro a Maria do Rosário, classificando-as como “absurdas, vis e antidemocráticas”.

— Ao afirmar que só não estupraria a ex-ministra dos Direitos Humanos porque ela não merece, Bolsonaro deveria ser processado por quebra do decoro parlamentar e incitação à violência. Estimular a violência e o estupro é demais, ultrapassa qualquer limite. O Congresso tem que punir este cidadão. Ele não pode, na tribuna daquela Casa, ter atitudes machistas, retrógradas e insanas como esta — afirmou o líder petista, ao defender uma representação criminal contra Bolsonaro.

Jean Wyllys pede providências à Corregedoria

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que a fala de Bolsonaro foi uma “ofensa machista e misógina” e usou seu discurso na tribuna da Câmara, também nesta terça-feira, para pedir “providências concretas” contra os “abusos” do progressista:

— Está na hora da Corregedoria da Câmara e do Conselho de Ética desta Casa tomarem providências concretas contra os abusos que esse deputado vem provocando — afirmou Wyllys.



PCdoB vai representar contra Bolsonaro

A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ), afirmou que seu partido vai representar contra Bolsonaro.

— Ele (Bolsonaro) já se reconhece como torturador e agora se auto-reconhece como estuprador — afirmou Jandira.

Segundo ela, o PCdoB estuda se ingressará com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se representará contra ele no Conselho de Ética da Câmara.

* Zero Hora, com agências
 
 
 
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